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Levantar âncoras

por Redação Carta Capital — publicado 18/01/2013 11h42, última modificação 18/01/2013 11h43
O premier Cameron flerta com a proposta de tirar seu país da União Europeia

Começou como uma tentativa de chantagear Bruxelas para impedir a Zona do Euro de adotar normas financeiras e um pacto fiscal que ameaçam interesses britânicos. Quando a oposição de David Cameron foi ignorada, a ala eurocética do seu partido animou-se e a ideia de sair da União Europeia, popular à direita nesta época de crise, ganhou vida própria. Agora o primeiro-ministro acena com uma proposta de “repatriação de poderes” e um plebiscito sobre “termos revisados de adesão”, a ser celebrado após as eleições de 2015.

Seu governo quer escolher quais políticas e regulamentos europeus lhe convêm e quais não, mas os líderes continentais, certos ou errados, julgam uma maior centralização necessária para salvar o euro e não estão dispostos a rever o Tratado de Lisboa só para agradar a Londres. Por mais que lamentem a sua perda, poderão oferecer a porta de saída como cortesia da casa e forçar Cameron a ir mais longe do que pretendia.

A discussão repercute do outro lado do Atlântico. Por meio de Phil Gordon, subsecretário de Estado para a Europa, Obama fez saber que acha o referendo uma péssima ideia e quer Londres na União Europeia. Já o ex-embaixador de Bush júnior na ONU, John Bolton, escreveu no jornal Times, do Grupo Murdoch, para exortar Cameron a “ignorar Obama” e abandonar o “navio que está adernando” da União Europeia “cada vez mais esclerosada”. Em vez de afirmar independência, Londres pode se descobrir mais dependente do que imaginava.

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