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Laboratório de revoltas

por Redação Carta Capital — publicado 08/09/2011 11h31, última modificação 09/09/2011 11h40
Na média do continente, passa de 20% o desemprego entre os jovens

Por Rodrigo Pinto

Não bastasse a crise e seus amargos remédios, ao que tudo indica a Europa tem agora de lidar com o risco iminente de novos conflitos sociais. A exemplo do que ocorreu no Reino Unido há poucas semanas, quando manifestantes  tomaram as ruas de Londres e Manchester, economistas que estudam a situação da juventude no continente não descartam novos problemas. Recente pesquisa do governo alemão mostra que Inglaterra, França-, Sué-cia e Polônia, sem falar nos cambaleantes Portugal, Irlanda, Espanha e Grécia, apresentam índices de desemprego para a população entre 16 e 24 anos iguais ou superiores a 20%. A média no continente é de 20,5%, a mais alta desde os anos 1980. A crise se alastra pela Europa e atinge em cheio os jovens, vítimas que, acuadas, podem literalmente partir para a briga, como aconteceu recentemente na Inglaterra, ou em 2005 na França.

Mesmo a Alemanha, que ostenta uma das mais baixas taxas da Europa, 9,1%, não tem do que se gabar. Enquanto o governo de Angela Merkel anuncia um “segundo milagre econômico”, a precariedade no emprego aumenta. “Há ao menos 2 milhões de alemães que não conseguem emprego formal”, contabiliza Thomas Beyer, chairman da Conferência Nacional da Pobreza (NAK, em alemão), entidade que estuda o mercado de trabalho. “Na Bavária, a região mais rica, 54% dos jovens desempregados estão nessa situação há mais de um ano. E a desigualdade também aumenta, já que o trabalhador não se beneficia do aumento das exportações alemãs como deveria. Para poder competir internacionalmente, o país conteve salários. Em dez anos, ampliamos os ganhos com vendas ao exterior em 50%, mas os rendimentos do trabalhador ficaram só 2,5% mais altos.” A estratégia alemã para manter a competitividade gera problemas em toda a Europa, reconhece Beyer.

Copresidente da Associação para a Taxação das Transações Financeiras e Ação Cidadã (Attac), o economista francês Thomas Coutrot aponta para o excesso de competitividade no Centro-Norte da Europa e para a falta no Sul como causas maiores para as seguidas altas nas taxas de desemprego entre jovens. “A Alemanha cada vez mais depende dos parceiros emergentes e menos dos países do Sul, como Portugal e Espanha, que têm economias centradas no setor de serviços e não podem exportar tanto. Isso vai implodir a União Europeia”, alerta. “Os custos salariais vêm, porém, diminuindo no Norte, para bancar essa competitividade, quando deveria ser o contrário.”

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