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Kirchner diz que não aceita "extorsão" e manterá reestruturação da dívida

por Deutsche Welle publicado 17/06/2014 09h42, última modificação 24/06/2014 16h06
Presidente critica decisão da Justiça dos EUA, que obriga o país a pagar na íntegra o valor de títulos em poder de fundos que não aceitaram a renegociação da dívida após a moratória de 2001
AFP
Cristina-Kirchner

A presidente da Argentina Cristina Kirchner

A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, disse nesta segunda-feira 16 que o seu país honrará o cronograma de pagamentos da dívida pública reestruturada em 2005 e em 2010 e não aceitará "extorsões" de grupos de credores que não concordaram com a reestruturação, iniciada após a moratória de 2001.

O anúncio da presidente, veiculado em rede nacional, foi uma resposta à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que rejeitou a revisão de uma sentença contra o país na disputa com credores de títulos não renegociados.

A negação do recurso obriga a Argentina a pagar cerca de 1,33 bilhão de dólares a esses credores, entre eles os fundos Aurelius Capital Management e NML Capital, do multimilionário Paul Singer. Essa soma corresponde ao valor de face dos títulos mais juros. Esses fundos detêm cerca de 1% do valor da dívida que o país, em 2001, disse que não pagaria na íntegra.

Cerca de 92% dessa dívida acabou sendo renegociada em 2005 e 2010. Na última tentativa argentina de negociar com os fundos litigantes, que os argentinos chamam de abutres e classificam de especuladores, estes recusaram receber entre 25 e 29 centavos por dólar do valor de face dos títulos.

"A Argentina não vai 'defaultear' sua dívida reestruturada e está disposta a negociar, mas não tem vontade de ser submetida à extorsão", declarou Kirchner. Se pagar o que determina a corte americana, o país poderá se ver obrigado a pagar também aos demais credores que não entraram na reestruturação. Isso elevaria o total a ser pago a 15 bilhões de dólares, mais da metade das atuais reservas argentinas.

Além disso, os detentores dos demais 92% da dívida, já renegociada, poderiam se sentir prejudicados por terem aceitado a renegociação e também entrar na Justiça para reclamar o valor original. Segundo Kirchner, a decisão da corte não é desfavorável só para a Argentina, mas também para aqueles que acreditaram no país e concordaram com a reestruturação.

Na decisão desta terça, a corte americana também determinou que os credores podem pedir informações sobre ativos da Argentina que estejam fora dos Estados Unidos para eventualmente pedir o seu embargo.

  • Edição Luisa Frey

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