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Internacional

Corrida presidencial

Última semana de campanha no Peru tem debate na tevê

por Rede Brasil Atual — publicado 30/05/2011 20h25, última modificação 31/05/2011 12h34
Em clima de acusações e ataques, os candidatos entram na reta final do segundo turno das eleições, que acontece no domingo 5, tecnicamente empatados

Por Jorge Seadi*

A semana decisiva da campanha presidencial do Peru começou com um debate na televisão em que houve muitos ataques de ambos os lados. Tanto Keiko Fujimori como Ollanta Humala optaram por expor seus planos e chamar a atenção para os pontos fracos do adversário, mesmo sem responder as perguntas que aconteciam sucessivamente, num formato que não agradava a nenhum dos dois. Como Keiko e Ollanta não tem na oratória e na polêmica seus pontos fortes, o debate teve poucos momentos de emoção.

A consequência da polarização direita-esquerda pode ser vista nas ruas das principais cidades do país. A população não chegou a um consenso sobre o vencedor do debate. Até os analistas se dividiram. “Ollanta foi mais incisivo em suas explanações, mas Keiko foi mais forte na performance”, afirmou, por exemplo, o analista Jorge Bruce.

O encontro foi transmitido ao vivo por todos os canais em tevê aberta do Peru e foi realizado no salão principal do luxuoso Hotel Marritot, em Miraflores. Havia grande expectativa pelo confronto porque os dois candidatos estão muito próximos, segundo as últimas pesquisas. O segundo turno da eleição peruana está marcado para o próximo domingo, dia 5 de junho.

O debate foi dividido em quatro grandes blocos que trataram da pobreza e inclusão social, segurança e narcotráfico, institucionalidade democrática e economia. Em cada bloco, os candidatos tiveram quatro minutos para uma exposiçao inicial, depois, o adversário poderia fazia uma pergunta. Ao final de cada bloco, havia uma série de perguntas feitas por cidadãos e, no final, cada candidato tinha tempo para uma mensagem final sem direito a réplica.

Ollanta foi o primeiro a falar e logo deixou clara sua estratégia de falar de programas sociais. Atacou Keiko lembrando os atos de desrespeito aos direitos humanos e de mal versação do dinheiro público praticados por Alberto Fujimori, pai da candidata, quando foi presidente do país. Prometeu aumentar o salário mínimo e dar aposentadoria aos maiores de 65 anos. Disse também que vai respeitar todos os acordos assinados pelo Estado e que vai combater a corrupção e lutar contra a pobreza.

Keiko Fujimori centrou suas críticas à falta de consistência de Ollanta. Lembrou que ele mudou, várias vezes, seu plano de governo, após a realização do primeiro turno e de ter buscado técnicos da equipe do ex-presidente Alejandro Toledo. Keiko acusou Humala de ter vários outros planos não apresentados, e que “isto gera desconfiança”. Keiko insistiu muito na sua proposta de tolerância zero no combate a corrupção e a atos ilícitos e ainda acusou Humala de golpista. Keiko afirmou que ela é a candidata e se quiser debater com Alberto Fujimori que vá até a prisão onde ele está cumprindo pena.

A lei eleitoral peruana proíbe que pesquisas de opinião sejam realizadas uma semana antes das eleições, mas não proíbe que a imprensa internacional faça pesquisas. Nas última, realizada semana passada, há um empate técnico apesar de uma pequena vantagem favorável a Keiko Fujimori.

*Publicado originalmente em Rede Brasil Atual.

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