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Guerra

Kadafi diz que Líbia sairá vitoriosa frente à intervenção militar estrangeira

por Opera Mundi — publicado 20/03/2011 13h14, última modificação 20/03/2011 13h14
Em mais um discurso, o ditador afirmou que seu país sairá vitorioso; apenas em Trípoli, há relatos de 48 mortos e 150 feridos, segundo informações do governo líbio. Do Opera Mundi

Em mais um discurso, o líder libio, Muamar Kadafi, afirmou neste domingo (20/03) que seu país sairá vitorioso frente à intervenção militar estrangeira encabeçada por Estados Unidos, França e Reino Unido. Ontem (19/03), dois dia após o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovar uma resolução que previa "todos os meios necessários" para proteger a vida de civis na Líbia, a coalizão começou a atacar a Líbia.

Apenas em Trípoli, há relatos de 48 mortos e 150 feridos, segundo informações do governo líbio.

“Vocês (EUA) pensaram que ganhariam no Iraque e no Irã, mas foram derrotados também na Somália e no Vietnã. Vocês não irão ganhar dessa vez também. Sairemos vitoriosos, sem dúvida alguma. Este é o nosso país", disse Kadafi, em alocução transmitida pela televisão estatal líbia.

Segundo ele, ao contrário dos EUA, a Líbia está preparada para uma "longa guerra" e que as forças aliadas ocidentais, não. "Estamos em nossa terra. Os líbios estão unidos atrás de um comando unificado. Vamos lutar em uma frente ampla", exclamou Kadafi, que garantiu vitória sobre os líderes aliados, qualificando-os de "selvagens e criminosos". "Esta (guerra) já não é um problema interno (da Líbia), mas um conflito entre o povo líbio e os novos nazistas".

Para o líder líbio, a vitória final de seu país é "inevitável" e todas as cidades acabarão se rebelando "contra esses atos característicos de um novo colonialismo". "Lutamos para defender nossa terra e nosso petróleo", exclamou Kadafi. "A vítima sempre acaba vencendo os bárbaros e o terrorismo", acrescentou.

"Alvorada da Odisseia"

Na primeira reação após os bombardeios, Kadafi, prometeu reagir à operação "Alvorada da Odisseia", como está sendo chamada a intervenção militar, e convocou todos os líbios a defender o país da "segunda cruzada do Ocidente", em uma referência à invasão de Jerusalém por europeus na Idade Média. "Vamos abrir o depósito de armas", prometeu.

A França deu início à operação por meio de ataques aéreos na cidade de Benghazi, no nordeste do país africano e considerado o reduto dos grupos opositores ao governo da Líbia. Fontes rebeldes da BBC afirmaram que a cidade está novamente sob controle dos oposicionistas a Kadafi.

Posteriormente, foi a vez dos Estados Unidos empreenderem um ataque de mísseis Tomahawk ao território líbio, a partir de um navio da Marinha norte-americana. Um oficial líbio informou à TV estatal que tanques de combustível na cidade de Misrata, a leste de Trípoli, foram atingos, de acordo com a agência France Press.

"Autorizei hoje o início de uma intervenção militar na Líbia, com o intuito de proteger civis. Ela agora está em andamento", afirmou em mensagem o presidente dos EUA, Barack Obama, que faz visita ao Brasil. "Kadafi ignorou os avisos. Quero que o povo norte-americano saiba que o uso da força não foi a nossa primeira opção. Não haverá perdão a Kadafi. Ações têm consequências e a comunidade internacional precisa agir".

Críticas

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, condenou o ataque à Líbia e chamou a operação "Alvorada da Odisseia" de "irresponsável". Segundo Chávez, as nações envolvidas na operação querem apenas se apoderar do petróleo da Líbia e exigiu um "cessar-fogo de verdade" imediatamente.

"Já começou a ação militar dos aliados contra a Líbia. É muito lamentável. É uma irresponsabilidade. E por trás disso estão as mãos dos EUA e seus aliados europeus", criticou o presidente venezuelano na televisão estatal.

Num comunicado divulgado pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Loukashevich Alexander, o governo russo lamentou a ação militar, realizada "no quadro da resolução 1973 da ONU, aprovada às pressas".

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