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Oriente Médio

Justiça egípcia prolonga detenção de presidente deposto

por AFP — publicado 12/08/2013 19h20
Prisão preventiva de Mohamed Mursi foi aumentada, em meio a protestos que pedem o retorno do primeiro presidente democraticamente eleito desde a queda de Hosni Mubarak
Gianluigi Guercia / AFP
Egito

Prisão preventiva de Mursi foi aumentada, em meio a protestos que pedem o retorno do primeiro presidente democraticamente eleito desde a queda de Hosni Mubarak

CAIRO (AFP) - A justiça egípcia prolongou nesta segunda-feira 12 a prisão preventiva do presidente deposto Mohamed Mursi, no momento em que seus partidários protestavam ignorando a ameaça das novas autoridades de dispersar os islamitas que ocupam há mais de um mês duas praças do Cairo.

Essa decisão judicial poderá aumentar a revolta dos milhares de pró-Morsi mobilizados em todo o o país, que convocaram novas manifestações para terça-feira 13 para exigir a volta ao poder do primeiro presidente democraticamente eleito do Egito.

A Polícia anunciou uma operação iminente, mas "gradual", contra as manifestações.A comunidade internacional, que aumentou em vão as mediações, teme um novo derramamento de sangue no país, onde confrontos entre manifestantes favoráveis e conrários a Mursi e entre partidários do presidente deposto e forças de segurança já deixaram mais de 250 mortos desde a destituição e a prisão de Mursi pelo Exército, no dia 3 de julho.

Mas à noite na praça Rabaa al-Adawiya, reduto dos pró-Mursi transformado em base, oradores condenavam o "golpe de Estado" e faziam ameaças, inflamando a multidão, enquanto os alto-falantes difundiam cânticos religiosos a todo volume. "Nós teremos mártires. O preço a pagar será alto, mas a vitória nos espera no fim do caminho", disse à AFP um dos voluntários encarregados de garantir a segurança no ato.

Prevendo uma dispersão à força, os pró-Mursi ergueram barricadas feitas de sacos de areia e tijolos.

Aumento da tensão

Várias autoridades das forças de ordem disseram à AFP que a dispersão só será realizada após um cerco e "várias advertências", que poderão durar "dois ou três dias".

Grande parte da população pede que o governo interino empregue suas forças para dispersar de forma rápida os manifestantes.

Enquanto isso, governos de vários países pedem moderação a ambas as partes. Há muitas mulheres e crianças entre as pessoas reunidas nas praças Rabaa al-Adawiya e Rabaa.

Nesta segunda, a justiça do país aumentou ainda mais a tensão das autoridades interinas com a Irmandade Muçulmana, o influente movimento de Mursi, prolongando em 15 dias a detenção preventiva do ex-presidente, acusado de ter fugido da prisão no início de 2011, em meio à revolta popular que derrubou o presidente Hosni Mubarak.

A justiça suspeita que ele tenha sido ajudado pelo grupo palestino Hamas.

Pouco depois, os Estados Unidos pediram às novas autoridades egípcias o fim de todas as "detenções políticas", mas não mencionaram explicitamente a de Mohamed Mursi.

"Nossa posição não mudou. Seguimos pedindo o fim de todas as detenções motivadas por razões políticas e insistimos que elas não ajudam o Egito a superar a crise", declarou a porta-voz adjunta do Departamento de Estado, Marie Harf.

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