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Justiça chilena encerra investigação sobre morte de Allende

por AFP — publicado 12/09/2012 10h31, última modificação 06/06/2015 18h28
Tribunal de Apelações de Santiago confirma que ex-presidente chileno, deposto pelo golpe militar, se suicidou
Allende

Ativistas participam de uma marcha em Santiago em 9 de setembro de 2012 pelos 39 anos da morte de Salvador Allende. Foto: ©AFP / Martin Bernetti

SANTIAGO (AFP) - No mesmo dia em que se completa 39 anos de sua morte, a justiça chilena encerrou a investigação sobre a morte do ex-presidente socialista Salvador Allende, com a confirmação de suicídio.

Em uma decisão unânime, o Tribunal de Apelações de Santiago decretou o fim do inquérito judicial aberto há dois anos, confirmando o suicídio de Allende cometido com uma arma que dada a ele por seu amigo, o ex-líder cubano Fidel Castro, disse uma fonte judicial à AFP.

O Tribunal confirmou o fechamento do caso decretado pelo juiz do caso, Mario Carroza, confirmando a versão oficial da morte. "Isso confirma a decisão recorrida de 16 de janeiro de 2012", indicou.

O juiz Carroza encerrou a investigação em 29 de dezembro do ano passado depois de receber os relatórios da perícia a que foram submetidos os restos mortais do ex-presidente, exumados em maio de 2011 do Cemitério Geral de Santiago

De acordo com a investigação judicial, Allende morreu pouco antes do meio-dia do dia 11 de setembro de 1973, em meio ao bombardeio aéreo e terrestre do palácio presidencial de La Moneda por parte das forças golpistas comandadas por Pinochet.

Allende, o primeiro marxista a chegar ao poder no Chile pelo voto popular, apoiou seu AK-47 sob o queixo e disparou dois tiros que levaram a sua morte, de acordo com a perícia.

Alguns de seus partidários afirmaram por anos que Allende foi assassinado por militares que invadiram o palácio, onde permaneceu entrincheirado junto com vários colaboradores, por causa da rejeição em se entregar às forças golpistas.

A morte de Allende foi recordada nesta terça-feira 11 por várias organizações de esquerda, que depositaram coroas de flores em uma porta do palácio presidencial, por onde costumava entrar o ex-presidente e no monumento em sua homenagem diante da casa de Governo, no centro de Santiago.

"Foi decidida uma verdade jurídica que nada tira do valor e da integridade (do presidente Allende)", declarou a senadora Isabel Allende, filha do ex-presidente, falando junto ao monumento em memória de seu pai.

"É um orgulho porque sabemos que ele ficou em La Moneda, porque sabia que os presidentes constitucionais têm de exercer o mandato até o final", acrescentou.

A justiça chilena condenou a mais de 200 anos de prisão o chefe da polícia política da ditadura, Manuel Contreras, e mantém abertos cerca de 350 processos envolvendo 700 ex-militares e agentes civis.

Pinochet, por sua parte, foi perseguido por casos de violações aos direitos humanos e enriquecimento ilícito, mas morreu em 10 de dezembro de 2006 sem ser condenado.

Como acontece em cada aniversário do golpe militar no Chile, foram registrados incidentes durante a madrugada em alguns pontos de Santiago, onde pessoas encapuzadas montaram barricadas incendiárias, que cortaram o trânsito em várias avenidas.

A polícia preparou uma operação especial destinada a fazer frente aos confrontos que costumam explodir nos bairros periféricos da capital.

Como precaução, os estabelecimentos de ensino, grande parte do comércio e funcionalismo público fecharam suas portas mais cedo para antecipar a volta para casa.

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