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Justiça britânica aceita ação de quenianos por crimes da era colonial

por AFP — publicado 05/10/2012 11h13, última modificação 06/06/2015 18h26
As vítimas teriam sofrido tortura e abusos sexuais. Caso pode criar jurisprudência para reivindicações de mil quenianos
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Simpatizantes de quenianos protestam em frente ao Tribunal Superior de Londres em julho. Foto: Leon Neal / AFP

Um tribunal britânico aceitou nesta sexta-feira 5 a demanda apresentada contra o Reino Unido por três quenianos do movimento "Mau Mau" que afirmam ter sido vítimas de crimes durante a era colonial no Quênia.

O juiz do Tribunal Superior de Londres, Richard McCombe, considerou que "um julgamento justo nesta parte do caso continua sendo possível e que as provas das duas partes continuam sendo consideravelmente convincentes para que o tribunal possa desenvolver sua tarefa de maneira satisfatória". A decisão foi anunciada três meses depois da ação ter sido examinada em uma audiência de 15 dias.

Jane Muthoni Mara, Paulo Muoka Nzili e Wambugu Wa Nyingi, que não compareceram nesta sexta-feira ao tribunal, afirmam ter sofrido torturas e abusos sexuais em campos de detenção durante o levante Mau Mau contra os colonizadores britânicos nos anos 1950. Segundo os advogados, Mara foi vítima de abusos sexuais, Nzili foi castrado e Nyingi duramente agredido.

Os três querem um pedido de desculpas do governo britânico e a criação de um fundo para as vítimas. O julgamento pode estabelecer jurisprudência para quase mil quenianos que foram vítimas de repressão e continuam vivos.

A brutal repressão da revolta Mau Mau provocou mais de 10.000 mortes entre 1952 e 1960, três anos antes da independência do Quênia. Dezenas de milhares de pessoas foram presas, incluindo o avô do presidente dos Estados Unidos Barack Obama.

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