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Jurista Sergio Mattarella é eleito presidente da Itália

por AFP — publicado 31/01/2015 16h00
Juiz da Corte Constitucional, conhecido por ser um austero católico praticante e pela luta contra a Máfia, marca declínio de Berlusconi
Reprodução
Sergio Mattarella

Sergio Mattarella é o primeiro siciliano que chega ao lendário palácio do Quirinale

O jurista Sergio Mattarella, considerado um político íntegro, defensor da legalidade, foi eleito neste sábado 31 pelo Parlamento da Itália como o novo presidente da República

Mattarella, de 73 anos, eleito após a quarta rodada de votação, quando precisava apenas da maioria simples, recebeu 665 votos, superando amplamente os 505 necessários.

A vitória de Mattarella, juiz da Corte Constitucional, que iniciou a vida política há 30 anos dentro da outrora poderosa Democracia Cristã e foi ministro de vários governos, foi garantida pelo Partido Democrático (PD), a maior força política do país, que uniu forças e influência para impor o jurista como candidato.

A eleição do novo presidente foi recebida com muitos aplausos pela maioria dos 1009 "grandes eleitores": 630 deputados, 315 senadores, 5 senadores vitalícios e 58 representantes de 20 regiões.

"Bom trabalho. Mattarella presidente! Viva a Itália!", escreveu no Twitter o primeiro-ministro Matteo Renzi.

Pouco depois do anúncio do resultado, o novo presidente fez as primeiras declarações à imprensa.

"Meu primeiro pensamento eu dedico aos compatriotas que sofrem e nutrem esperanças", disse.

O novo presidente assumirá o cargo oficialmente na terça-feira, durante uma cerimônia solene no Parlamento.

Mattarella, conhecido por ser um católico praticante, íntegro e austero, recebeu imediatamente um telegrama de felicitações do papa Francisco.

"Que possa trabalhar a serviço da unidade e da concórdia do país", escreveu o pontífice, que costuma observar uma distância prudente da vida política italiana.

O 12º presidente da República italiana foi eleito para um período de sete anos e é a única pessoa com o direito de dissolver o Parlamento e convocar eleições legislativas antecipadas, faculdades concedidas pelo regime parlamentar italiano.

A eleição de um respeitado jurista, constitucionalista experiente, com um passado inatacável, que sofreu pessoalmente como siciliano os horrores da máfia, é considerada uma jogada política exemplar do premier Matteo Renzi, que confirma assim a posição de líder indiscutível do PD.

"Ele é o homem da legalidade, da batalha contra a máfia", definiu Renzi, ao apresentar Mattarella há quatro dias como o candidato da esquerda.

Renzi, de 40 anos, ex-prefeito de Florença, conseguiu o respaldo de todo seu partido e também convenceu a esquerda radical, assim como boa parte dos moderados de centro-direita, com os quais negociou até a sexta-feira, isolando Silvio Berlusconi, que por 20 anos foi o protagonista da política italiana e era contrário à eleição de Mattarella.

O declínio do magnata e ex-premier Berlusconi é evidente, já que os votos em branco, a recomendação aos parlamentares de seu partido, Força Itália, chegaram a apenas 105, um número inferior ao de representantes da formação.

A ruptura entre Renzi e Berlusconi, que respaldou nos últimos meses as reformas propostas pelo jovem primeiro-ministro, muda completamente o panorama político e abre uma nova fase para a Itália.

A jogada de Renzi, que a imprensa elogiou por sua transparência, provocou a revolta de Berlusconi, que se sentiu "traído", de acordo com assessores.

Entre os críticos do novo chefe de Estado também está o movimento contrário ao sistema Cinco Estrelas, cujo líder, o humorista Beppe Grillo, chamou Mattarella de "homem dos mil tons de cinza".

"Mattarella é um homem leal, correto, sensível, conhece as instituições e é imparcial", declarou o atual presidente, Giorgio Napolitano, de quase 90 anos, que renunciou ao cargo em meados de janeiro por sua idade e por motivos de saúde.

O sucessor de Napolitano, um político experiente, católico e reservado, que em 2011 se tornou juiz da Corte Constitucional, é um antigo adversário de Berlusconi.

No fim dos anos 80, renunciou ao cargo de ministro para protestar contra a aprovação da lei que concedia ao magnata três canais de televisão, um gestou que Renzi elogiou a apresentar a candidatura.

Sergio Mattarella é o primeiro siciliano que chega ao lendário palácio do Quirinale, sede da presidência.