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News of the World

Jornalistas participaram de grampos telefônicos

por Gabriel Bonis publicado 29/11/2011 15h11, última modificação 29/11/2011 15h18
É o que diz repórter do diário Guardian, responsável por diversas denúncias de escutas ilegais do tabloide de Murdoch

Cerca de quatro meses após o tabloide News of the World, do magnata Ruppert Murdoch, ganhar as manchetes mundiais devido a um escândalo de escutas telefônicas e compra de informações privilegiadas da polícia, o jornal - mesmo fechado - continua produzindo exemplos de má conduta ética e jornalística.

Em depoimento nesta terça-feira 29 no inquérito Leveson, que analisa a cultura, práticas e ética da mídia do Reino Unido, o repórter investigativo Nick Davies, do diário The Guardian, revelou que os jornalistas do NOW participaram dos grampos telefônicos. A afirmação contraria a versão anterior de que o responsável era um investigador privado do grupo.

Davies expôs o nível alcançado pelas escutas no tabloide. Revelou que em 2009 o jornal pagou secretamente quase 1 milhão de libras esterlinas a Gordon Taylor, chefe-executivo da Asssociação de Jogadores de Futebol Profissionais, e a dois outros indivíduos por conta de escutas de telefone. O repórter e uma colega, também ela do Guardian, denunciaram a ação, em julho, do veículo de Murdoch no caso da adolescente desaparecida Milly Dowler.

A jovem tinha 13 anos em 2002, quando foi raptada próximo à sua residência no condado de Surrey. Seis meses depois, a polícia encontrou seus restos mortais. Contudo, o jornal teve acesso à caixa de mensagens do celular da adolescente durante a investigação do caso e apagou os recados dos pais de Dowler para dar a impressão de que ela continuava viva.

Ao ser questionado sobre quem hackeava o celular, o repórter do Guardian apontou o investigador privado Glenn Mulcaire apenas como o facilitador, o responsável por conseguir informações da companhia telefônica.

As mensagens, no entanto, eram ouvidas em grande parte pelos jornalistas do tabloide. Segundo Davies, um ou mais jornalistas foram responsáveis por hackear a caixa de mensagens de voz da adolescente e depois deletar os recados dos pais.

Davies disse que mandou um aviso à família da jovem pela polícia de Surrey, sobre a ação do NOW. “Precisávamos tornar a história pública e enviamos um relatório detalhado à família de Dowler explicando o que iríamos publicar.”

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