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Internacional

Na corda bamba

Jornalista acusa diretor do FMI de pedir sexo por entrevista

por Redação Carta Capital — publicado 18/05/2011 17h32, última modificação 06/06/2015 18h16
Pressão internacional aumenta para que Dominique Strauss-Kahn, que está preso em Nova York por agressão sexual contra uma camareira, deixe o cargo

Em meio a pressões internacionais para deixar a direção do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn teve seu nome envolvido em outra polêmica. O francês, que está preso em Nova York sob suspeita de tentativa de estupro contra uma camareira, foi acusado por uma repórter de um jornal europeu de propor favores sexuais em troca de uma entrevista.

O jornal britânico The Times divulgou, nesta quarta-feira 18, uma entrevista com a jornalista, que usou o nome fictício de Martina. A mulher afirma que o ex-ministro de Finanças da França teria se aproximado dela após uma coletiva de imprensa, há dois anos. Segundo ela, o diretor do FMI conseguiu seu telefone, provavelmente com a embaixada do país ou com o Instituto Francês, e ligou fazendo a proposta. A repórter disse ainda que Strauss-Kahn se propôs a ir até o local de trabalho dela.

Ainda segundo a jornalista, o diretor do FMI foi até a cidade em que ela vivia em novembro, quando estava grávida, e disse que lhe daria a entrevista caso passasse “um fim de semana com ele em Paris ou em outro lugar”.

Na berlinda

Com o pedido de fiança de Dominique Strauss-Kahn, estabelecido em 1 milhão (de dólares cerca de 1,6 milhão de reais), negado pela Justiça americana, na segunda-feira 16, a direção do FMI foi assumida interinamente pelo americano John Lispky, primeiro vice-diretor. No entanto, começa a movimentação para que o francês deixe o cargo. “É evidente que ele não está em condições de dirigir o FMI", disse o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, ao Wall Street Journal.

A eventual saída de Strauss-Kahn abriria espaço para países emergentes, como Brasil, Rússia, China e Índia, que nos últimos anos têm pedido mais representatividade no órgão e também no Banco Mundial. No entanto, a chanceler alemã, Angela Merkel, manifestou a preferência por um europeu no comando do FMI, devido à crise que países da zona do euro, a exemplo de Grécia, Irlanda e Portugal, enfrentam. Em seis décadas de existência do órgão, os 10 ocupantes do cargo vieram de países europeus, num acordo com os Estados Unidos que dá a um norte-americano a presidência do Banco Mundial.

. “Com o mundo em que os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) têm uma presença muito forte, há certamente uma tendência para mudanças”, disse à CartaCapital.

Eleições francesas

Em relação às pretensões presidenciais de Strauss-Kahn, considerado antes do escândalo como potencial candidato do Partido Socialista para enfrentar Nicolas Sarkozy, uma pesquisa do instituto CSA, encomendada pelos principais veículos de comunicação da França, aponta que 57% dos entrevistados acredita em um complô para a sua prisão.

O Partido Socialista ainda avalia o impacto do ocorrido na imagem de Strauss-Kahn, mas a pesquisa indica que 54% dos entrevistados acreditam na vitória da legenda, não importando o candidato. Em dois cenários distintos, com os escolhidos pelos socialistas sendo o antigo chefe do partido, François Hollande, ou a atual comandante Martine Aubry, ambos passariam para o segundo turno com Sarkozy, quase empatados.

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