Você está aqui: Página Inicial / Internacional / Japão declara estado de emergência em usina nuclear de Onagawa e assume risco de nova explosão em Fukushima

Internacional

Japão declara estado de emergência em usina nuclear de Onagawa e assume risco de nova explosão em Fukushima

por Opera Mundi — publicado 14/03/2011 10h12, última modificação 14/03/2011 11h12
O tremor e o posterior tsunami também afetaram gravemente dois dos seis reatores da usina nuclear de Fukushima, a 150 quilômetros ao sul de Onagawa, no litoral oriental do Japão. Do Opera Mundi
Japão declara estado de emergência em Usina

O tremor e o posterior tsunami também afetaram gravemente dois dos seis reatores da usina nuclear de Fukushima, a 150 quilômetros ao sul de Onagawa, no litoral oriental do Japão. Foto: Jiji Press/AFP

As autoridades japonesas declararam estado de emergência nuclear para outra usina atômica, em Onagawa, devido ao elevado nível de radiatividade, comunicou hoje a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).
O Japão informou à AIEA que a operadora da usina nuclear de Onagawa, Tohoku Electric Power Company, fixou o nível do alerta em um, o mais baixo da escala, após o devastador terremoto de sexta-feira.

As autoridades japonesas disseram ao organismo da ONU que "os três reatores na usina nuclear de Onagawa estão sob controle".

Segundo a AIEA, a declaração de alerta ocorreu devido "a leitura dos níveis de radiatividade permitidos nos arredores da usina. As autoridades japonesas estão investigando a fonte da radiação".

A central atômica de Onagawa fica localizada na Prefeitura de Miyagi, a 450 quilômetros ao norte de Tóquio, uma zona afetada pelo terremoto de 9 graus na escala Richter de sexta-feira, o mais forte registrado no Japão até agora.

Fukushima

O tremor e o posterior tsunami também afetaram gravemente dois dos seis reatores da usina nuclear de Fukushima, a 150 quilômetros ao sul de Onagawa, no litoral oriental do Japão.

No caso de Fukushima, as autoridades japonesas confirmaram que existe o risco de uma segunda explosão na usina, mas garantiram que a operação de ventilar o sistema de contenção do reator número 3 começou nesta manhã para permitir que o vazamento controlado de vapor diminua a pressão no interior do compartimento.

Segundo o porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, usina pode aguentar o impacto de uma nova explosão e o reator nuclear não será danificado, mesmo assim já estão sendo tomadas as providências para evitar uma segunda explosão. "Não podemos confirmar nada ainda. Há a possibilidade de que tenha ocorrido um derretimento dentro do terceiro reator", disse.

Os engenheiros tentaram, mas não conseguiram resfriar o centro de um dos reatores com água do mar. Mas eles acreditam que a cobertura de concreto é forte o bastante para aguentar uma nova explosão e afirmam que não é provável que ocorra um derretimento. A Tepco (Companhia Elétrica de Tóquio), operadora da usina, afirmou que os níveis de radiação em volta da usina aumentaram acima dos limites permitidos.

Cerca de 170 mil pessoas foram retiradas das áreas próximas à usina. No sábado (12/03), o governo dobrou o tamanho da área de evacuação dos moradores, de um raio de 10 para 20 quilômetros em volta de Fukushima. Pelo menos 19 pessoas estão recebendo tratamento devido aos efeitos da exposição à radiação e dezenas de milhares de pessoas continuam a fugir da região.

Brasileiros

A equipe de plantão do Itamaraty, em Brasília, informou neste domingo (13/03) que residem em Sendai, uma das cidades mais afetadas, entre 15 a 20 brasileiros. Já em Fukushima, onde está localizada a usina nuclear que explodiu, moram 383 brasileiros, segundo dados do Ministério do Interior do Japão. O jornalista brasileiro Marcelo Sato, que reside em Tóquio desde 1991 com a mulher e duas filhas, relatou que o governo japonês orientou aos moradores de Fukushima para saírem às ruas somente com o uso de máscaras. Além disso, foi recomendado também à população da cidade que utilize capas de vinil descartáveis, semelhantes a capas de chuvas com capuz. As orientações foram dadas para minimizar os riscos de contaminação pela radiação que está vazando da usina nuclear.

As autoridades japonesas pedem para que as capas de vinil e as máscaras não sejam reutilizadas e que, ao chegar em casa, as pessoas joguem esses materiais no lixo. Os moradores de Fukusima também estão sendo instruídos a não usar sistemas de ventilação com aparelhos de ar-condicionado, que traz ar do exterior para o interior das casas, segundo Sato.

Apagão

O governo japonês prepara uma espécie de “política de apagão” de energia elétrica para a Região Norte do arquipélago, área mais afetada pelo terremoto e pelo tsunami que se seguiu, na sexta-feira. A informação foi passada à Agência Brasil pelo secretário da Embaixada do Brasil em Tóquio, Eduardo Souza, responsável pelos contatos com a imprensa.

Segundo ele, o anúncio foi feito neste domingo à população pelo primeiro-ministro japonês, Naoto Kan. A ideia do governo nipônico é implantar uma escala de cortes de energia de três horas por dia nas cidades da Região Norte. Segundo o secretário do Itamaraty em Tóquio, o premiê ressaltou em seu pronunciamento à nação que as pessoas das cidades do Norte serão comunicadas antecipadamente sobre os blecautes.

O governo japonês também decidiu criar três comissões para lidar com a crise na qual o país mergulhou desde sexta-feira. Segundo Eduardo Souza, uma delas vai tratar exclusivamente no estudo dos problemas energéticos como a tentativa de controle das usinas nucleares da região afetada que ainda apresentam riscos de explosão.

Outra comissão tratará do ordenamento dos trabalhos de socorro às vítimas a serem desenvolvidos por ONG's que já se ofereceram para ajudar o governo japonês. A terceira comissão vai estudar a situação da economia japonesa e as medidas que serão tomadas para minimizar ao máximo as consequências do terremoto para a indústria do país.

O secretário da embaixada brasileira no Japão informou que os últimos números oficiais divulgados às 6h30 (horário no Brasil) contabilizam 1.049 mortos, 1.712 feridos e 275 mil desabrigados.

*Com Agência Brasil e Efe

**Publicada origalmente no Opera Mundi

registrado em: , ,