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Proposta do Quarteto

Israel e Palestina em novo impasse

por Redação Carta Capital — publicado 25/09/2011 06h15, última modificação 26/09/2011 16h33
Líder palestino diz que pedido ignora suas condições para negociar a paz, enquanto Israel aceita proposta com ressalvas

Após o pedido do Quarteto, grupo formado por EUA, Rússia, União Europeia e Organização das Nações Unidas (ONU), na sexta-feira 23, para o retorno imediato das negociações entre Israel e Palestina, os dois lados se pronunciaram.

O grupo solicitou a apresentação de propostas sobre território e segurança de Israel e Palestina, a fim de viabilizar um acordo de paz definitivo antes do fim de 2012.

Porém, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou neste domingo 25, em seu retorno a Ramallah, capital da Cisjordânia, que as negociações com Israel serão possíveis apenas com o fim dos assentamentos e que a proposta do Quarteto não aborda o retorno às fronteiras anteriores a 1967.

Abbas também mostrou-se insatisfeito com os Acordos de Oslo, ou acordo de Paris, assinados há quase duas décadas. Segundo ele, estes impõem restrições ao crescimento de seu território, pois Israel controla a alfândega, cobra impostos dos palestinos e pode restringir o comércio internacional da Palestina. Em troca, Israel permite que palestinos trabalhem no país.

No entanto, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou no sábado 23, à TV estatal de seu país, que aceita o plano do Quarteto com ressalvas, mas sem condições prévias para retomar as conversas com a Palestina. Segundo ele, que terá uma posição oficial nos próximos dias após análise da proposta, é preciso haver vontade para levar as negociações adiante.

O premier ainda disse que os palestinos não podem “enganar as negociações" para conseguir um Estado e "seguir em conflito".

Em seus discursos na Assembleia Geral na sexta-feira, Abbas e Netanyahu se acusaram mutuamente de não querer negociar um acordo de paz. O diálogo entre Israel e Palestina está suspenso desde setembro de 2010.

Adesão à ONU

Um dos principais membros do Fatah, Nabil Shaath, declarou neste domingo 25, à emissora de rádio Voice of Palestine, que a proposta de adesão da Palestina como o 194ª membro pleno da ONU, realizada na sexta-feira, tem nove promessas de apoio no Conselho de Segurança. Com isso, os Estados Unidos, contrários ao pedido, teriam que usar o seu poder de veto.

No entanto, o dirigente palestino pediu que os norte-americanos votem a favor ou se abstenham, resistindo ao lobby pró-Israel.

Segundo declarações de uma autoridade do Fatah no sábado 24, os palestinos esperam uma resposta do Conselho em duas semanas. Contudo, o atual presidente rotativo do órgão, o embaixador do Líbano na ONU, Nawaf Salam, declarou já ter fornecido aos 15 membros do Conselho uma cópia da proposta, que deve ser analisada na segunda-feira 26.

Para ser aprovado, o pedido precisa de pelo menos nove votos dos 15 membros e nenhum veto dos membros permamentes: EUA, Rússia, França, China e Reino Unido.

Discurso
Em um dos momentos mais aguardados da Assembléia Geral da ONU, Mahmoud Abbas pediu em um discurso de 35 minutos que a Palestina seja aceita como membro pleno das Nações Unidas. Enquanto isso, imagens da rede de televisão britânica BBC mostravam ruas lotadas de Ramallah, capital da Cisjordânia, diversas bandeiras palestinas e a comoção popular.
Antes do pronunciamento do líder palestino, o grupo islâmico Hamas, que controla Gaza e prega a destruição de Israel, rejeitou o pedido de Abbas à ONU, alegando que os palestinos deveriam libertar sua terra e “não implorar por reconhecimento”.
Um dos dirigentes do grupo, Ismail Haniyeh, disse a jornalistas que “países não são construídos com base nas resoluções da ONU. Estados libertam suas terras e estabelecem suas entidades.”
Houve registro de confrontos entre palestinos e o Exército israelense no ponto de checagem na entrada de Ramallah, capital da Cisjordânia. Israel colocou nove mil soldados na região por causa do pronunciamento.
Na Assembleia, Abbas disse ter “chegado o momento do meu povo corajoso e minha colônia poder viver como outros países da Terra, em um território independente”, recebendo o aplauso dos presentes.
Segurando uma cópia da carta de adesão palestina, pediu que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, aceitasse o pedido e o levasse ao Conselho de Segurança para ser votado. Depois, dirigiu-se aos presentes na Assembleia. “O seu apoio para o reconhecimento do Estado Palestino é a maior contribuição para a paz na região [Oriente Médio]. Espero que não tenhamos que esperar muito.”
“Temos um objetivo: Existir. E existiremos”, conclamou.

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