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Oriente Médio

Israel e Hamas aprovam trégua de três dias em Gaza

por Deutsche Welle publicado 10/08/2014 16h09, última modificação 10/08/2014 17h02
Decisão abre caminho a negociações para paz mais duradoura. Alguns políticos israelenses seguem reivindicando o fim do Hamas como única solução
David Buimovitch / AFP
israel gaza

Fronteira entre Gaza e Israel mostra área urbanizada sob ataques

O Hamas e o governo de Israel concordaram neste domingo 10 com a proposta do Egito de um cessar-fogo de 72 horas na Faixa de Gaza, a se iniciar à meia-noite. A decisão abre o caminho a negociações para paz mais duradoura, no conflito que já dura um mês.

O "sim" israelense veio em seguida ao da delegação palestina. "Nós estamos aqui para chegar a um acordo. Não podemos ter um acordo sem conversas, então aceitamos a proposta egípcia para um cessar-fogo de 72 horas, com o objetivo de retomar as negociações", declarou um dos representantes do Hamas. Antes, os palestinos haviam ameaçado abandonar as tentativas de paz no Cairo, caso Israel não retornasse à mesa de negociações.

Neste domingo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmara que seu país não participaria dos esforços de paz enquanto estivesse sob ataque. Desde sexta-feira, quando expirou a trégua anterior de três dias, igualmente mediada pelo Egito, cerca de 100 mísseis foram disparados sobre Israel. No mesmo período, aviões israelenses realizaram pelo menos 120 ataques contra a Faixa de Gaza.

Reivindicações por fim do Hamas

O líder da delegação palestina no Cairo, Azzam al Ahmad, havia instado Israel a retornar à mesa de negociações, sem impor condições. O premiê israelense, porém, manteve a posição de que seu país não negociaria nas atuais circunstâncias. "A operação 'Borda Protetora' continua", disse Netanyahu em Tel Aviv. "Ela continuará até atingirmos o nosso objetivo: restaurar a calma por um período prolongado de tempo. Israel não negociará sob fogo."

Pelo menos dois ministros israelenses defenderam uma operação militar para derrubar o Hamas, o grupo islâmico radical que controla Gaza.

"Essa situação não pode continuar", disse o chanceler Avigdor Lieberman, antes de uma reunião de gabinete. "Não há dúvidas de que a única opção que nos resta é vencer o Hamas, limpar o território e sair o mais rápido possível." O ministro do Interior, Gideon Saar, concordou: "O que nós temos que fazer é quebrar o poder militar do Hamas em Gaza."

Desde 8 de julho, quase 2 mil pessoas já morreram no conflito entre Israel e o Hamas. Do lado palestino, foram registradas 1.900 vítimas, inclusive 449 crianças, 243 mulheres e 87 homens idosos. Entre os israelenses houve 67 mortos, dos quais três são civis.

 

  • Edição Augusto Valente

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