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Oriente Médio

Israel ataca a Síria para destruir armas

por AFP — publicado 05/05/2013 09h12
De acordo com a rede NBC, o principal alvo era uma carregamento destinado ao Hezbollah, no Líbano
Aviões F-16 de Israel durante parada militar em Jerusalém

Aviões F-16 de Israel durante parada militar em Jerusalém, em abril de 2010. Foto ©afp.com / Ahmad Gharabli

A aviação israelense atacou o território sírio em duas ocasiões nas últimas 48 horas, informaram as redes de TV americanas e a agência oficial de notícias Sana. Na madrugada de domingo 5, mísseis israelenses atingiram um centro de pesquisas científicas em Jamraya, na região de Damasco, segundo a agência Sana. Não informações sobre mortos ou feridos.

A TV síria confirmou o ataque afirmando que a "agressão israelense visa a aliviar a pressão sobre os terroristas em Ghuta do Leste", região do subúrbio de Damasco. Mais cedo, a rede de televisão americana CNN informou que "agências americanas e ocidentais de inteligência obtiveram informações confidenciais indicando que Israel executou um ataque aéreo entre quinta e sexta-feira" contra o território sírio, após aviões de combate deste país sobrevoarem o Líbano.

De acordo com a rede NBC, "o principal alvo de Israel era uma carregamento de armas destinado ao Hezbollah, no Líbano", referindo-se ao movimento xiita libanês, inimigo de Israel. Um alto funcionário americano indicou a essa rede de notícias que o ataque visava sistemas de lançamento de armas químicas, mas outras autoridades consultadas pela CNN questionaram a informação. No Líbano, uma fonte diplomática revelou à AFP que o ataque destruiu mísseis terra-ar fornecidos recentemente pela Rússia, que estavam armazenados no aeroporto de Damasco.

Na sexta, a agência Sana anunciou o disparo de dois foguetes, por parte dos rebeldes, contra o aeroporto da capital, atingindo um avião e um reservatório de querosene. Uma fonte militar síria desmentiu o ataque de sexta-feira e consultado pela AFP, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não confirmou a informação.

Recusando-se a confirmar o primeiro ataque, um membro do Ministério israelense da Defesa indicou à AFP que "Israel acompanha a situação na Síria e no Líbano, particularmente em relação à transferência de armas químicas e de armas especiais". Outro alto funcionário do Ministério da Defesa, Amos Gilad, citado pela imprensa local, não quis confirmar o ataque israelense de sexta-feira contra a Síria, mas ressaltou que o Hezbollah não possui armas químicas sírias e não deseja obtê-las.

"A Síria tem grandes quantidades de armas químicas e de mísseis. Tudo está sob controle (do regime sírio). O Hezbollah não tem armas químicas. Temos como saber disso. Não precisa ter essas armas e prefere sistemas que possam cobrir todo o país (Israel)", afirmou essa autoridade, referindo-se ao arsenal convencional do Hezbollah, principalmente aos seus foguetes de longo alcance. Um comunicado do Exército libanês indicou vários sobrevoos de caças-bombardeiros israelenses na noite de quinta para sexta-feira.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou neste sábado que Israel tem o direito de se defender da transferência de armas da Síria para o Hezbollah, mas se negou a comentar a informação de que Israel atacou o território sírio. "Não vou fazer comentários sobre o que ocorreu na Síria ontem, mas acredito que os israelenses, de maneira justificada, devem se proteger contra a transferência de armas sofisticadas para organizações terroristas como o Hezbollah".

Obama afirmou que cabe ao Estado hebreu "confirmar ou negar qualquer medida que tenha adotado" para se defender da ameaça. "Temos uma estreita coordenação com os israelenses e reconhecemos que estão muito próximos da Síria e muito próximos do Líbano", destacou o presidente. Israel e Hezbollah - um fiel aliado do presidente Bashar al-Assad - se enfrentaram em um sangrento conflito no verão de 2006.