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Irlanda se compromete a reformar bancos em troca de resgate financeiro

por Opera Mundi — publicado 22/11/2010 17h15, última modificação 22/11/2010 17h16
O plano de resgate da UE e do FMI será de um montante "inferior a 100 bilhões de euros", bastante superior ao previsto inicialmente

O governo irlandês aceitou neste domingo (21/11) o plano de resgate da União Europeia e do FMI (Fundo Monetário Internacional). Como condição o país terá de promover uma profunda reestruturação em seu sistema bancário e na política orçamentária.

Segundo o primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, os ministros das Finanças europeus definiram a ativação do mecanismo financeiro de ajuda à Irlanda por um montante "inferior a 100 bilhões de euros". O número é bastante superior ao previsto pelo ministro de Finanças irlandês, Brian Lenihan, que acreditava que o plano de resgate não superaria os "70 ou 80 bilhões de euros".

Além disso, Cowen adiantou que o Executivo deve abrir outra rodada de negociações com as autoridades competentes para determinar os detalhes e condições do resgate, cujos fundos serão destinados, por um lado, a corrigir a política orçamentária do Estado irlandês e, por outro, a reestruturar seu sistema bancário.

"O governo comemora o acordo feito na reunião, no qual foi estabelecido que a oferta de ajuda à Irlanda é crucial para proteger a estabilidade da UE e da zona do euro", disse Cowen.

Funcionamento

O fundo de resgate, cujo vencimento foi fixado em três anos, será financiado através do mecanismo de assistência do orçamento comunitário, da Facilidade Europeia de Estabilidade Financeira, criada em julho, e do FMI.

"Uns dos elementos centrais do programa de ajuda consistirá em acometer uma profunda reestruturação a longo prazo da viabilidade e saúde do sistema bancário irlandês", explicou o primeiro-ministro em entrevista coletiva junto a Lenihan.

Sobre isso, o primeiro-ministro anunciou que o tamanho de seu sistema bancário será reduzido significativamente como parte do plano de reestruturação. Também confirmou que o imposto sobre empresas será mantido em 12,5%, apesar de vários países europeus terem qualificado a taxa, fundamental para a Irlanda atrair investimentos estrangeiros, de concorrência desleal.

Lenihan, por sua parte, indicou que Reino Unido e Suécia, ambos fora da moeda única, se ofereceram para contribuir com um "empréstimo bilateral" se a Irlanda pedir.

Tarefa interna

O conselho de Ministros do Executivo de Dublin também finalizou neste domingo a redação do plano de austeridade quadrienal, que será apresentado nesta terça-feira e cujo objetivo é reduzir o déficit até 3% do PIB, em 2014, mediante cortes avaliados em 15 bilhões de euros.

Segundo Cowen, UE e FMI já aprovaram a aplicação, cuja primeira fase começará no dia 7 de dezembro se o Parlamento nacional referendar o orçamento geral para 2011, que prevê cortes de até seis bilhões de euros.

O primeiro-ministro assinalou que será imposto um novo regime fiscal, similar ao que existia antes de 2006, e que, além disso, podem ser criados impostos adicionais sobre, por exemplo, as propriedades e a classe social chamada de "super-ricos".

Mercados

Cowen evitou falar em números ou requisitos concretos, mas o anúncio foi suficiente para acalmar os investidores estrangeiros. Nesta segunda-feira, o euro subiu para US$ 1,376, enquanto o índice Nikkei, do Japão, fechou em alta de 0,9%, o nível mais alto dos últimos cinco meses.

Por volta das 6h30 (hora de Brasília) as principais bolsas europeias também registravam ganhos. Em Londres, o índice FTSE operava em alta de 0,76%; em Paris, o CAC registrava 0,82% e o Dax, da bolsa de Frankfurt, tinha valorização de 0,82%.

Matéria originalmente publicada no Opera Mundi.

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