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Direitos Humanos

Iraque: Tortura e 30 mil presos sem julgamento, diz Anistia

por Revista Forum — publicado 14/09/2010 11h06, última modificação 14/09/2010 11h09
Anistia Internacional denuncia a situação nas prisões iraquianas e salienta que milhares de prisioneiros transferidos do comando norte-americano correm o risco de tortura

Anistia Internacional denuncia a situação nas prisões iraquianas e salienta que milhares de prisioneiros transferidos do comando norte-americano correm o risco de tortura

A Anistia Internacional (AI) publicou um relatório sobre a grave situação dos prisioneiros iraquianos (Veja o relatório na íntegra em inglês “New order, same abusesw: Unfawl detentios and torture in Iraq”).

Neste relatório, segundo a notícia da seção portuguesa da AI, é denunciada a existência de milhares de detidos arbitrariamente, a prática regular de tortura, de violência e de abusos sobre os presos por parte das autoridades iraquianas.

Na apresentação do relatório, Malcolm Smart, diretor da Anistia Internacional para o Oriente Médio e Norte de África, afirmou que “as forças de segurança iraquianas têm sido responsáveis pela violação sistemática dos direitos dos detidos, e lhes é permitido fazê-lo com impunidade”.

O relatório denuncia também a atitude das autoridades norte-americanas, sublinhando que “as forças norte-americanas completaram a transferência de todos os detidos, com excepção de 200, para custódia iraquiana a 15 de Julho de 2010, sem quaisquer garantias contra a prática de tortura ou maus-tratos”, os EUA abdicaram de qualquer responsabilidade pelos direitos humanos dos presos que tinham sob sua custódia e que após a transferência “vão enfrentar este catálogo de ilegalidades, violência e abusos”.

A AI calcula a existência de 30 mil detidos sem julgamento no Iraque, 10 mil dos quais recentemente transferidos da custódia norte-americana.

A organização internacional de defesa dos direitos humanos denuncia o caso de Riyadh Mohammad Saleh al-‘Uqaibi, de 54 anos, que morreu na prisão a 12 ou 13 de Fevereiro de 2010, que foi agredido de tal forma, que lhe partiram as costelas, danificaram o fígado, acabando por morrer com uma hemorragia interna. O corpo foi entregue à família só semanas depois e a certidão de óbito indicava morte por “paragem cardíaca”.

Segundo a AI, a tortura é amplamente usada no Iraque para obter “confissões”, as quais são frequentemente usadas como “única prova”. Centenas de detidos foram condenados à morte e alguns executados, com base em “confissões”, apontadas pelos condenados como falsas e assinadas sob coacção.

Os métodos de tortura usados incluem: “agressão física com cabos e mangueiras, suspensão prolongada pelos membros, administração de choques eléctricos em partes sensíveis do corpo, fratura dos membros, remoção de unhas dos dedos das mãos ou dos pés, asfixia e perfuração do corpo com furadeiras elétricas, e tortura psicológica, tal como ameaças de violação”.

O relatório da AI salienta também as prisões prolongadas na região do Norte do Curdistão pela polícia de segurança Asayish. O caso de Walid Yunis Ahmad é exemplo da grave situação de arbitrariedade e violação dos direitos humanos no Norte do Curdistão. Walid está detido há mais de 10 anos, desde 6 de fevereiro de 2000, foi torturado e mantido em solitária durante 45 dias em 2008. Walid é o detido há mais tempo sem julgamento no Iraque.

Matéria da Revista Fórum publicada originalmente no Esquerda.Net