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Irã reitera advertência contra Marinha dos EUA

por Redação Carta Capital — publicado 03/01/2012 10h06, última modificação 06/06/2015 18h57
Para ministro da Defesa, presença de forças não regionais só pode criar distúrbios

O general Ahmad Vahidi, ministro da Defesa do Irã, voltou elevar o tom contra os Estados Unidos. Nesta quarta-feira, o ministro advertiu contra a presença da Marinha norte-americana no Golfo Pérsico.

"Sempre afirmamos que a presença de forças não regionais no Golfo Pérsico era nociva e só poderia criar distúrbios. Portanto, pedimos que não estejam presentes nesta via marítima", declarou o militar, citado pela agência iraniana Mehr.

Um funcionário do alto escalão do governo do Irã já havia advertido na terça para que os Estados Unidos não entrem novamente com seu porta-aviões no Golfo Pérsico. "A república Islâmica não tem a intenção de repetir sua advertência", declarou  então o general Ataolá Salehi, segundo o site das forças armadas iranianas.

Em meio a tensões diplomáticas sobre o programa nuclear de Teerã, o porta-aviões norte-americano USS John C. Stennis, que se encontrava no Golfo, passou na última semana pelo Estreito de Ormuz para ir ao Mar de Omã. Naquele momento, as tropas navais iranianas faziam suas manobras na região, em um exercício que duraria dez dias.

Vários funcionários de alto escalão declararam que o Irã pode fechar este canal estratégico, por onde transita 35% do tráfego marítimo petroleiro mundial, em caso de novas sanções contra as exportações petroleiras. Isso permitiria ao Irã, segundo produtor da Opep, obter 80% de suas receitas.

Estas medidas foram examinadas pelos Estados Unidos e por alguns países europeus, em particular Alemanha, Grã-Bretanha e França, para levar o Irã a ceder em seu controverso programa nuclear.

Os Estados Unidos criticaram o "comportamento irracional do Irã" e afirmaram que "não tolerarão nenhuma perturbação do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz".

Na segunda, último dia das manobras navais, o Irã testou diversos mísseis, enquanto o exército regular está encarregado de controlar o Mar de Omã.

Após os testes, o porta-voz do ministério da Defesa da Rússia, Vadim Koval, disse que o "Irã não possui a tecnologia para criar mísseis balísticos de médio ou longo alcance intercontinentais".

Reagindo às ameaças de sanções petroleiras, o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast, declarou hoje que o Ocidente não pode afastar o Irã do mercado global de energia. "A situação energética no mundo não sustenta a possibilidade de excluir um país como o Irã, que possui a quarta reserva de petróleo e a segunda reserva de gás no mundo", acrescentou.

"Nossas exportações de petróleo e de gás menos importantes são atualmente as que vão aos países europeus", ou seja, pouco mais de 15% das exportações iranianas, acrescentou.

Ao mesmo tempo, Teerã propôs novamente um reinício rápido das negociações nucleares com as potências do grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha), interrompidas há um ano. "Esperamos que uma data e um lugar sejam propostos pela chefe da diplomacia da União Europeia (Catherine Ashton) para as negociações entre Irã e o grupo 5+1", declarou Mehmanparast.

A União Europeia rejeitou a solicitação iraniana, acrescentando que continuava esperando a resposta de Teerã a uma carta dirigida aos líderes do país em outubro. "A bola está no campo iraniano", assinalou Michael Mann, porta-voz de Catherine Ashton.

No final de dezembro, várias autoridades iranianas, em particular o chefe dos negociadores para a questão nuclear, Said Jalili, e o chanceler Ali Akbar Salehi, afirmaram que o país estava disposto a retomar as negociações com o grupo.

Após oito anos de investigações, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) publicou um relatório com um amplo catálogo de elementos "dignos de crédito" indicando que o Irã trabalha na elaboração de armamento nuclear. As acusações foram rejeitadas por Teerã.

Com informações AFP.

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