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Internacional

Informante do WikiLeaks é inocentado de traição, mas pode pegar 130 anos

por Deutsche Welle publicado 30/07/2013 17h36, última modificação 30/07/2013 17h44
Soldado Bradley Manning escapou da acusação de ajudar o inimigo, a mais grave e que poderia lhe render prisão perpétua. Culpado em outras 19, no entanto, ele pode passar o resto da vida na cadeia
Saul Loeb / AFP
Bradley Manning

Manning deixa corte marcial de Fort Meade após ouvir sua sentença nesta terça-feira 30

O soldado Bradley Manning foi considerado culpado nesta terça-feira 30 em 19 das 21 acusações a que respondia por ter vazado informações do Exército dos Estados Unidos ao WikiLeaks. Manning, no entanto, livrou-se da pior delas: a de "ajudar o inimigo", que poderia resultar em prisão perpétua.

O veredicto foi determinado pela juíza Denise Lind, de uma corte militar de Fort Meade, em Maryland. A pena deve ser lida nesta quarta-feira. Caso Manning receba pena máxima por todos os crimes em que foi considerado culpado, poderá ter que cumprir mais de 130 anos de regime fechado.

Desde o início do julgamento, em junho, Manning admitiu ser culpado em dez das acusações impostas contra ele. Entre os crimes confessados por ele estão o de espionagem e de fraude de computadores. O militar, porém, sempre negou ter a intenção de ajudar inimigo com seu ato.

O governo dos EUA vinha pedindo a pena máxima pelo que considerou uma séria violação à segurança nacional. A promotoria defendeu que Manning "só pensou em si mesmo" ao colocar a segurança americana em risco. Já a defesa alegou que o soldado agiu sob o idealismo de salvar vidas, levando a público os bastidores da guerra e suas atrocidades.

Entre novembro de 2009 e maio de 2010, durante a Guerra do Iraque, o então analista da inteligência baixou mais de 700 mil documentos secretos guardados nos computadores militares e os repassou para o site WikiLeaks.

Entre os documentos vazados estava a gravação do ataque de dois helicópteros de guerra dos EUA sobre um grupo de iraquianos em Bagdá, no qual 12 homens foram mortos e duas crianças ficaram feridas. Outros documentos revelam que 150 presos ficaram detidos na prisão americana de Guantánamo sem motivo.

Pelo menos 30 pessoas fizeram uma manifestação de apoio a Manning do lado de fora do tribunal. Para muitos ativistas, o vazamento das informações permitiu que se colocasse uma luz sobre as obscuras operações militares americanas no exterior.

Para os administradores do WikiLeaks, o julgamento de Manning mostra o "perigoso e o extremismo da segurança nacional" do governo Barack Obama, como escreveu a organização em sua conta no Twitter. O WikiLeaks é um dos maiores críticos do processo contra Manning. Para Julian Assange, fundador do site, seu crime foi revelar a verdade.

MSB/afp/rtr/ap
Edição Rafael Plaisant

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