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Mercado reage e bolsa tem queda em Lima após eleição

por Redação Carta Capital — publicado 06/06/2011 09h32, última modificação 06/06/2015 18h16
Humala, oitavo presidente de um partido de esquerda na América do Sul, obteve 50,7% dos votos contra 49,3% de Keiko Fujimori
Humala vence e é o novo presidente do Peru

O presidente do Peru, durante a campanha que o elegeu. Foto: Ernesto Benavides/AFP

A eleição de ampliou o número de chefes de Estado eleitos por partidos de esquerda na América do Sul. O líder do Partido Nacionalista Peruano chega ao poder após uma das mais disputadas eleições da história do país – até poucos dias da votação, ele aparecia praticamente empatado com a adversária Keiko Fujimori, filha de Alberto Fujimori, ex-ditador que desviou 600 milhões de dólares do governo e promoveu a esterilização de 300 mil mulheres.

Com Humala, eleito com 50,7% dos votos, a América do Sul passa a contar com oito dos 13 chefes de Estados identificados com partidos populares, casos de Uruguai (José Mujica), Venezuela (Hugo Chávez), Equador (Rafael Correa), Bolívia (Evo Morales), Paraguai (Fernando Lugo), Argentina (Cristina Kirchner) e Brasil (Dilma Rousseff).

A presidenta Dilma, inclusive, conversou nesta segunda-feira 6, por telefone, com o presidente eleito do Peru. Na conversa, ela convidou o peruano para visitar o Brasil antes da posse, marcada para 28 de julho. Segundo o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, Dilma parabenizou e desejou sorte ao presidente eleito.

Em entrevista à Agência Estatal Boliviana, Morales também enviou cumprimentos a Humala e afirmou que o grande triunfo de sua vitória é o resultado da luta do povo por sua dignidade e soberania. O presidente do Chile, Sebastián Piñera, e o ex-presidente peruano Alejandro Toledo, também cumprimentaram o novo presidente.

A polarização da campanha fez com que Humala recebesse apoio de personalidades historicamente críticas aos governos de esquerda na região, entre eles o escritor peruano Mario Vargas Llosa, Nobel da Literatura - que também parabenizou o novo presidente do país- e  Alfredo Bryce Echenique.

Para chegar à presidência, Humala teve que reforçar para vencer o “discurso do medo”, sobretudo da classe média da capital, Lima. Durante a campanha, ele se afastou da imagem de Hugo Chávez e citou diversas vezes a experiência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil. Não por acaso, Humala foi assessorado ao longo da campanha por dois petistas – Luis Favre e Valdemir Garreta – e pelo marqueteiro João Santana, o mesmo de Dilma Rousseff. Mesmo assim, a vitória de Humala fez a bolsa de Lima despencar nesta segunda-feira, com 8,7% de queda. Como medida de segurança, a instituição foi fechada por uma hora. Na capital, Keiko obteve 57% dos votos, contra 42% de Humala.

Em seu primeiro discurso como presidente eleito, Humala afirmou que seu governo estimulará a economia aberta e de mercado e fortalecerá o consumo interno. “Esta noite renovo meu compromisso com o povo peruano de promover crescimento econômico com inclusão social. Começaremos a trabalhar para isso no próximo dia 28 de julho”, disse. “Vamos fazer uma transformação da agricultura, da indústria, para que gerem mais empregos e mais dinheiro para a nação.Em relação à política internacional, afirmou que,  ao assumir o governo, vai promover a integração latino-americana.

Humala afirmou ainda que pretende formar uma equipe de governo integrada pelos melhores quadros técnicos e intelectuais. “Sem que ninguém se sinta excluído”, disse. De acordo com ele, sua gestão será baseada em uma economia aberta e de mercado visando ao fortalecimento interno.

"Vamos fazer uma transformação da agricultura e da indústria para gerar mais empregos, para que tenha mais dinheiro no país", afirmou Humala. Keiko também fez discurso para os simpatizantes, reconhecendo a derrota. Ela acompanhou a contagem de votos em casa.

As eleições no Peru foram acompanhadas por 235 observadores internacionais e jornalistas credenciados. O eleitorado do Peru tem uma pequena maioria de mulheres (50,19%). Há 3,8% de eleitores vivendo no exterior, a maioria nos Estados Unidos.

Com informações da Agência Brasil

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