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Homossexual e travesti se casam legalmente em prisão argentina

por Opera Mundi — publicado 14/04/2011 16h35, última modificação 14/04/2011 16h35
Cerimônia uniu legalmente uma peruana e um argentino no Complexo Penitenciário I de Ezeiza, na manhã desta quarta-feira 13. Por Luciana Taddeo.

Por Luciana Taddeo *

Uma peruana e um argentino se casaram legalmente na manhã desta quarta-feira (13/4) no Complexo Penitenciário I de Ezeiza, na Argentina. O casamento entre os detentos de diferentes pavilhões – ela, no de travestis e ele, no de homossexuais –, foi realizado 10 meses depois da aprovação da lei que autoriza o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo no país.

Os anos anteriores ao casamento foram de muitos desafios para Eduardo P. e Vivian G., que se conheceram fora das grades, em 2005, mas acabaram presos na mesma unidade penitenciária. Ela chegou a fazer greve de fome para que os dois pudessem se encontrar nos lugares frequentados por detentos nas atividades cotidianas da reclusão, segundo o jornal argentino Página 12.

Eduardo se desesperava com a situação e tentava alimentar a companheira. "Ele me passava coisas pela janelinha para que eu comesse, mas eu não queria nada. Ele me deixava papeizinhos, cartas", contou a noiva à publicação.

Mas o casal teve um final feliz. A cerimônia de casamento contou com tudo o que manda o ritual: vestido branco, buquê, alianças, convidados emocionados e gritos de "Viva os Noivos!". "Sonho com isso desde que tinha 12 anos", afirmou ela, "sempre disse que com 18 anos começaria a me preparar para ter uma família. Queria ser mulher", disse a detenta, de cerca de 30 anos, que em um ano poderá recuperar sua liberdade. Eduardo, por sua vez, espera decisões da justiça sobre seu futuro.

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A união civil não trará uma grande mudança nas condições de convivência dos recém-casados: cada um seguirá em seu pavilhão e poderão se encontrar em locais onde são realizadas oficinas com os detentos. Ambos terão, no entanto, direito à visita íntima a cada 15 dias, benefício que já solicitavam antes da realização da cerimônia.

"Seria lindo um pavilhão de casais", disse a noiva, com esperança, ao jornal. Eduardo, no entanto, tem os pés no chão: "Eu sempre digo que aqui, estamos presos. É a realidade", desabafou.

Direitos

A união entre Eduardo e Vivian não é o primeiro casamento gay em uma prisão do país vizinho. Em agosto do ano passado, um mês após a aprovação pelo senado da uma lei que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo, dois argentinos protagonizaram, em uma penitenciária de Mendoza, a primeira união civil do país entre internos homossexuais.

Osvaldo Martín Torres e Jesús Acuña, também conhecido como Diana, formalizaram sua relação iniciada muitos anos antes, na própria cadeia: "Nos conhecemos aqui dentro há uns 11 anos e desde este momento, ela me ajudou muito a poder sair desta situação de drogas e crimes", afirmou Torres, na ocasião.

Durante a cerimônia, que contou com a participação de cerca de 20 detentos, o diretor do presídio, Sebastián Sarmiento, ressaltou o "grande companheirismo" do casal.  "Eles são um exemplo de união e demonstraram ter um amor inseparável", elogiou.

*Publicado originalmente em Opera Mundi.

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