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Hollande vence as primárias da esquerda

por AFP — publicado 17/10/2011 10h07, última modificação 17/10/2011 15h07
O ex-chefe do Partido Socialista Francês deverá ser o principal adversário do presidente Nicolas Sarkozy

PARIS -  François Hollande venceu, este domingo 16, a adversária Martine Aubry no segundo turno das inéditas primárias abertas ao simpatizantes da esquerda para escolher o candidato do Partido Socialista (PS) às eleições presidenciais francesas de 2012.

"Recebi um mandato imperioso, o de fazer a esquerda vencer" nas eleições presidenciais de 2012 frente ao conservador Nicolas Sarkozy, declarou Hollande, de 57 anos, pouco depois de ser recebido na entrada da sede parisiense do PS pela adversária, Martine Aubry, por Ségolène Royal, que foi sua companheira por quase 30 anos Royal, e outros candidatos eliminados no primeiro turno das primárias, as primeiras abertas da história do partido.

Hollande e Royal, que tiveram quatro filhos, trocaram publicamente o primeiro beijo no rosto desde o anúncio de sua separação, pouco após a derrota dela nas presidenciais francesas de 2007.

"Meço a tarefa que me espera", afirmou Hollande, que se apresentou como o "candidato do respeito, do diálogo e da democracia" no primeiro discurso da noite, após serem divulgados os resultados das primárias, ainda parciais, que lhe atribuem 56,5% dos votos contra 43,5% para Aubry.

Falando da Maison de l'Amerique Latine, em seu terceiro discurso da noite, Hollande advertiu que "nunca a esquerda preparou uma eleição presidencial em um contexto tão complexo com uma crise financeira que não para de causar efeitos".

"Hoje não se conquistou uma vitória, é uma vitória que se prepara", disse Hollande em sua primeira intervenção na sede socialista, enquanto seus seguidores gritavam "François, presidente".

"Quero saudar calorosamente a vitória de François Hollande. Esta noite é o nosso candidato às presidenciais de 2012", afirmou Aubry, de 61 anos, ex-chefe do PS que pretendia se tornar a primeira mulher a presidir a República francesa e que horas antes convocava os eleitores a votar "com convicção e com o coração".

Ela antecipou que na segunda-feira "retomará sua função como primeira-secretária do PS", cargo que deixou no fim de junho passado quando anunciou sua candidatura às primárias.

"Hoje foi a votação. Esta noite é a unidade em torno do nosso candidato e amanhã será a equipe da França para a mudança e para por um fim a cinco anos de governo de Nicolas Sarkozy", declarou Aubry, que nos últimos dias protagonizou uma campanha bastante agressiva contra seu rival.

Ela garantiu que trabalhará com "toda" a "força para que em sete meses François Hollande seja nosso presidente da República".

No segundo turno destas primárias inéditas do PS, 9.500 seções eleitorais funcionaram das 09h00-19h00 locais (05h00-15h00 de Brasília) em prefeituras, escolas, ginásios e até no jardim de uma casa.

Com uma participação estimada em 2,8 milhões de eleitores, o PS superou a mobilização "histórica" de 2,6 milhões de votantes no primeiro turno no domingo passado, que pôs Hollande em primeiro lugar do pleito, com 39% dos votos.

François Hollande, de 57 anos, deputado e presidente regional, porém nunca ministro, saiu em campanha em 2010, ocupando o vácuo deixado por Dominique Strauss-Kahn, que estava então à frente do FMI.

Líder de chapa do PS após a brutal derrota socialista nas legislativas de 2002, Hollande recebeu, após o primeiro turno, o apoio dos quatro candidatos socialistas eliminados no domingo passado, entre eles sua ex-mulher, Ségolène Royal.

Considerado um azarão por ter chegado ao terceiro lugar no primeiro turno com 17% dos votos, Arnaud Montebourg, representante da ala esquerda do PS, que se autoproclama um "indignado" e reivindica a "desglobalização", anunciava seu apoio a Hollande, assim como os minoritários Manuel Valls e Jean Michel Baylet.

Mas para alguns eleitores, não foi uma escolha fácil.

"Duvidei muitíssimo até o último momento", admitiu Sophie, uma professora de pintura de 41 anos, após votar em Aubry no leste de Paris. Já Annette, uma aposentada de 66 anos, disse que votou em Hollande "porque é mais confiável e tem mais capacidade de unidade".

Grande ausente destas primárias, nas quais era o grande favorito, após ser acusado de tentativa de estupro - crime pelo qual foi absolvido em setembro - pela camareira de um hotel de Nova York, Dominique Strauss-Kahn voltou a perturbar o panorama socialista e novamente de forma incômoda.

O político francês de 62 anos, que no domingo passado votou em Aubry, se vê agora confrontado ao que chama de "insinuações maliciosas" que o vinculam a uma rede de prostituição de luxo e agora pede para "comparecer o mais rápido possível perante os juízes" para tratar do caso.

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