Internacional

Oriente Médio

Hollande pede formação de governo de transição na Síria

por AFP — publicado 05/11/2012 10h42, última modificação 06/06/2015 19h23
Em viagem ao Oriente Médio, o presidente francês disse que gostaria que "a oposição síria se constitua um governo para dar-lhe toda a legitimidade"; Rebeldes controlam campo de petróleo
Hollande

O presidente francês, François Hollande, fala à imprensa durante coletiva no aeroporto de Jidá. Foto: ©AFP / Bertrand Langlois

JIDÁ, Arábia Saudita (AFP) - O presidente francês, François Hollande, defendeu, no domingo 4, em visita à Arábia Saudita, a formação de um governo de transição na Síria e o endurecimento das sanções contra o Irã, após se reunir com o rei Abdullah. Em entrevista coletiva, Hollande afirmou que a França gostaria que "a oposição síria se constitua um governo para dar-lhe toda a legitimidade, e assegurar-se de que o que há na Síria é uma transição democrática".

Durante sua primeira visita como chefe de Estado ao reino saudita, "o presidente falou com o rei Abdullah sobre o processo de paz no Oriente Médio, sobre o programa nuclear iraniano e sobre a crise síria, bem como sobre cooperação bilateral", disse à AFP um porta-voz de Hollande, Romain Nadal, após entrevista de duas horas.

Consultado sobre a ajuda militar que a rebelião síria aguarda, Hollande afirmou que "isto requer que haja um governo provisório" capaz de receber armas e usá-las de forma a deixar a Síria e toda a região mais seguras e não provocar mais instabilidade.

A respeito do Irã, Paris e Riad "estão de acordo" em endurecer as sanções contra o país, para "impedir que vá mais adiante" em seu programa nuclear. No entanto, as duas capitais manifestaram que estão disponíveis para negociar e superar a crise aberta pelas ambições nucleares de Teerã, acrescentou Hollande.

O presidente francês constatou também uma "posição comum" com o rei saudita sobre o Líbano, ameaçado de desestabilização pelo conflito na vizinha Síria. "Uma vez mais fizemos uma advertência a todos aqueles que queriam desestabilizar este país, que precisa recuperar a unidade mediante o diálogo", disse.

Antes de chegar a Jidá, na tarde de domingo, o presidente francês visitou brevemente Beirute, onde expressou o apoio da França ao Líbano, ameaçado pelo conflito armado na vizinha Síria entre o regime e seus opositores.

"A França não poupará esforços para garantir ao Líbano sua independência, sua unidade e sua segurança" e está decidida a "se opor com todas as forças a qualquer tentativa de desestabilização", assegurou Hollande durante entrevista coletiva conjunta com o colega libanês Micheil Sleimane.

Referindo-se ao conflito sírio, Sleimane disse que "reafirmou ao presidente Hollande o compromisso do Líbano de evitar as consequências negativas" da contenda no país vizinho. Hollande visitou o Líbano depois de a oposição reivindicar a demissão do premier Najib Mikati, a quem acusa de "facilitar o plano do regime criminoso de Bashar al Assad no Líbano".

Diante disso, Sleimane e os ocidentais querem, sobretudo, evitar um vácuo de poder no país, fragilizado pelo conflito sírio. Segundo uma fonte governamental, a França estaria disposta a acolher uma reunião das facções políticas libanesas, se Beirute pedir e todas as partes estiverem representadas.

François Hollande disse que o objetivo de sua viagem a Jidá era "estabelecer relações pessoais" com o rei Abdullah, cujo país é "o primeiro parceiro comercial da França".

Rebeldes sírios assumem controle de campo de petróleo
No domingo 4, os rebeldes sírios tomaram um campo de petróleo, o primeiro desde o início do conflito, no leste da Síria, e derrubaram um avião na mesma região, anunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). O campo de petróleo é um dos mais importantes da província de Deir Ezzor, que possui as maiores reservas da Síria.

Hoje, a produção de petróleo síria, que era de 420 mil barris por dia antes do início do conflito em março de 2011, caiu pela metade. "Os rebeldes tomaram o controle da jazida de Al Ward, ao leste da cidade de Mayadin, ao fim de um cerco de vários dias", destacou o OSDH.

Quase 40 militares responsáveis pela segurança do local morreram, foram feridos ou capturados, segundo a ONG. Os combates duraram várias horas, afirmou à AFP Abdel Rahmane, diretor do OSDH.

Os rebeldes também assumiram o controle de um tanque, de vários veículos blindados e de munições. Segundo o OSDH, os insurgentes abateram na mesma região um avião do exército regular.

A aviação pró-Assad, o principal trunfo militar do regime, atacou também no dia 4 várias regiões, entre elas a Ghuta Oriental, a zona rural que cerca a capital, segundo o OSDH. No sábado tinham morrido na região 14 pessoas, vítimas de bombardeios.

No norte do país, os aviões mataram quatro civis em Al Bab, segundo a mesma fonte, e atacaram a região de Idleb (noroeste), com um balanço de 19 mortos. Em Deraa (sul), dois rebeldes e quatro soldados morreram em combates, segundo o observatório.

Este domingo, morreram no total 134 pessoas, entre elas 86 civis, 27 rebeldes e 41 soldados, segundo balanço do OSDH, que tem como base uma rede de militantes e fontes médicas.

           

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