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Gianni Carta

Hollande obterá maioria absoluta no Parlamento

por Gianni Carta publicado 09/06/2012 10h30, última modificação 06/06/2015 17h37
As legislativas na França confirmarão a liderança do presidente, mas a presença de extremista Marine Le Pen inquieta
O presidente francês, François Hollande. Foto: AFP

Além de promover o diálogo entre a polícia, árabes e negros, Hollande terá de incluir todos na sua promoção de crescimento econômico Foto: AFP

Neste domingo 10 e no próximo domingo 17 os franceses irão às urnas para eleger 577 deputados na Assembleia Nacional. Para vencer essas legislativas, François Hollande, o presidente socialista eleito em 6 de maio por cinco anos, precisa obter uma maioria absoluta de 289 votos.

Promessas como aquela de relançar a economia francesa e, por tabela, a de uma Zona do Euro, em chamas, poderão ser colocadas em prática. Um Hollande com maioria parlamentar teria maiores poderes para negociar um futuro com Angela Merkel no qual um programa de austeridade não seria mais a única estratégia para tirar a União Europeia (UE) do buraco, como prega a chanceler alemã.

De qualquer forma, fundamental agora é agir – e Hollande parece ser o líder capaz para impor na UE uma liderança positiva.

Caso prevaleça a tradição francesa, o Partido Socialista e aliados de Hollande levarão a melhor. Isso porque as legislativas costumam confirmar o voto da legenda do presidente eleito.

Outros fatores favorecem o PS. Pesquisas de intenções de voto indicam que uma vitória da direita é bastante improvável. A direita está dividida, e a vaga deixada por Nicolas Sarkozy é disputada com unhas e dentes. Uma parcela da legenda direitista, a União por um Movimento Popular (UMP) continua a seguir a estratégia de Sarko de seduzir a extrema-direita. Por sua vez, a direita gaulista prefere uma linha mais moderada (e menos alarmista).

A questão-mor parece ser esta: para obter a maioria absoluta Hollande precisará forjar uma aliança com a Europa Ecologia (os verdes), ou somente com a Frente de Esquerda, a aliança radical a envolver legendas como o Partido Comunista Francês (PCF)?

Incógnitas não escasseiam.

Segundo sondagens, Jean-Luc Mélenchon, o líder da Frente de Esquerda (FE), poderá obter apenas 8% dos votos, 3% a menos do que na Presidencial. Pior: existe a possibilidade de Mélenchon sequer se qualificar para disputar o segundo turno das legislativas contra Marine Le Pen, a líder da legenda de extrema-direita, a Frente Nacional (FN). Sem dúvida esta seria uma grande derrota para a Frente de Esquerda.

 O futuro de Marine Le Pen

No atual tablado político, importa pouco o futuro dos centristas de François Bayrou, ou mesmo o número de verdes eleitos. Importa, isso sim, a quais legendas favorecerá a taxa de abstenção, que nos últimos anos tem sido de 30%. E a abstenção poderá ser maior, visto que os franceses estão cansados de votar. Participaram de primárias, dois turnos da Presidencial e finalmente os dois turnos das legislativas. São seis idas às urnas num período de escassos meses.

O mais provável é que mesmo conservadores votem em legendas de esquerda para evitar uma coabitação entre um presidente de esquerda e um Parlamento de direita. A França não poderia, no caso de uma coabitação, aprovar projetos de lei – e não teria nenhum poder no contexto europeu.

Grave, isso é fato, é o poder de Marine Le Pen. Com 18% dos votos no primeiro turno da Presidencial, a bancada da FN na Assembleia poderá ser contada nos dedos de uma única mão. Mas vale recapitular: Marine obteve um número mais elevado de votos que seu pai Jean-Marie Le Pen, na Presidencial de 2002. E naquele ano Jean-Marie Le Pen disputou o segundo turno contra o gaulista Jacques Chirac.

Na verdade, Marine está se preparando para as municipais de 2014. Ao contrário do pai, ela soube dar uma nova imagem à Frente Nacional. Desde que assumiu a direção da legenda, em 2011, ela não nega o Holocausto, como o pai, afastou os ultradireitistas da legenda. Além disso, é mãe solteira, articulada, e tem a idade (43 anos) e o perfil da maioria de seus eleitores.

Em suma, “Marinistas” se inspiram na figura de Marine Le Pen. Esses eleitores pertencem a uma classe média que teme a União Europeia, os imigrantes, e todos os supostos males da globalização.

De fato, Marine Le Pen faz um trabalho de formiga com eficácia. Dos 571 candidatos da FN nessas legislativas, 280 são mulheres. Marine, ao contrario do pai, fundador do movimento em 1972, feminizou a legenda. E ela rejuvenesceu o partido. A idade média dos candidatos da Frente Nacional é 50 anos. Cerca de 130 dos candidatos nessas legislativas têm menos de 40 anos. O caçula tem 19 anos.

A França elegeu Hollande, um político que poderá surpreender a Europa. No entanto, Marine Le Pen é outra surpresa que poderá trazer consideráveis danos para a França e a UE no futuro.

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