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Oriente Médio

Hillary Clinton afirma que Assad deve deixar a Síria

por AFP — publicado 07/06/2012 11h51, última modificação 07/06/2012 11h51
A secretária de Estado dos EUA exigiu a transferência completa do poder na Síria a um governo de transição
Hillary disse que "os princípios nos quais acreditamos devem guiar a estratégia de transição da etapa pós-Assad". Foto: Saul Loeb/AFP

Hillary disse que "os princípios nos quais acreditamos devem guiar a estratégia de transição da etapa pós-Assad". Foto: Saul Loeb/AFP

ISTAMBUL - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, declarou nesta quinta-feira 7 que o presidente sírio, Bashar al-Assad, deve deixar a Síria, considerando "inadmissível" o último massacre cometido nesse país.

"A violência apoiada pelo governo, de que fomos testemunhas ontem em Hama, é simplesmente inadmissível", declarou Hillary em uma entrevista coletiva à imprensa em Istambul.

Hillary disse que uma solução para a crise na Síria precisa de um cessar-fogo, de uma transferência de poder e da formação de um governo interino representativo.

"Assad tem que deixar o poder e abandonar a Síria", disse ela, no dia seguinte a uma noite de trabalho com representantes de 16 países, entre eles vários países árabes e europeus, em que foi discutido como aumentar a pressão sobre o regime de Damasco para obter mudanças políticas.

Clinton reconheceu que, até agora, os Estados Unidos fracassaram em impulsionar uma ação internacional que tivesse impacto sobre Assad.

"Devemos reiterar nossa união, devemos enviar uma clara mensagem a outras nações que ainda não estão trabalhando conosco, ou que, inclusive, estão apoiando ativamente o governo Assad, de que não há futuro nisso", disse.

"E, certamente, planejar uma transição ordenada será um passo importante", acrescentou.

Oposição síria denuncia 'massacre' em Ham

BEIRUTE  - Ao menos 100 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram mortas nesta quarta-feira na região de Hama, no centro da Síria, indicou o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão opositora, denunciando mais um "massacre" praticado pelas forças do governo.

"Temos uma centena de mortos nas aldeias de Al-Koubeir e de Maarzaf, entre eles vinte mulheres e vinte crianças", declarou à AFP Mohamed Sermini, um porta-voz do CNS, que acusou as forças do governo e suas milícias de praticar o "massacre".

Sermini também pediu que os observadores internacionais encarregados de supervisionar o cessar-fogo visitem imediatamente os locais da matança.

Consultado pela AFP, o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman, confirmou o "massacre", mas citou 87 mortos. "O certo é que dezenas de pessoas morreram, incluindo mulheres e crianças".

Segundo Rahman, o massacre ocorreu após bombardeios contra duas aldeias onde milicianos penetraram em seguida, matando os moradores a tiros e com armas brancas.

No dia 25 de maio, pelo menos 108 pessoas, incluindo cinquenta crianças, morreram em um massacre em Houla, na província de Homs (centro).

Uma autoridade da ONU afirmou que há "fortes suspeitas" sobre o envolvimento dos "shabbiha", milicianos pró-regime, na matança em Houla, que desencadeou reações de condenação de diversos países.

O presidente Bashar al-Assad negou no domingo qualquer ligação com o massacre de Houla.

Os Estados Unidos afirmaram nesta quarta-feira que estão prontos para apoiar uma ação forte da ONU contra a Síria, com base no capítulo VII da Carta das Nações Unidas, como pede a Liga Árabe.

"Diante da ausência de sinais sérios de conciliação (por parte do regime de Assad), iremos em breve nesta direção", disse o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, ao se referir a esta disposição que permite isolar totalmente um país mediante um forte regime de sanções.

Com base no capítulo VII da Carta da ONU, "o Conselho de Segurança pode decidir que medidas que não envolvam o emprego da força armada devem ser tomadas para que suas decisões tenham efeito, e pode convidar os membros das Nações Unidas a aplicar estas medidas".

"Estas podem incluir a suspensão completa ou parcial das relações econômicas e das comunicações ferroviárias, marítimas, aéreas, postais, telegráficas, radioelétricas e de outros meios de comunicação, assim como a ruptura das relações diplomáticas", detalha o texto.

Apesar da crescente violência, Rússia e China "estão de forma contundente contra as tentativas de solucionar a crise síria por uma intervenção militar externa, assim como de impor (...) uma política de mudança de regime".

Em um comunicado conjunto, Moscou e Pequim destacam que os acontecimentos na Síria "são importantes para a paz e a estabilidade no Oriente Médio e no mundo inteiro" e devem ser solucionados através do diálogo político entre todos os participantes do conflito.

Os dois países também pedem apoio para o plano de paz do enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan.

Nesta quarta-feira, Estados Unidos e vários países árabes e europeus se reuniram em Istambul para discutir sobre como deter a violência na Síria e obrigar o presidente Assad a entregar o poder.

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