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Guerra às Drogas. Recorde mexicano: 200 mortes em seis dias

por Wálter Maierovitch publicado 17/06/2010 16h33, última modificação 16/08/2010 16h35
O presidente Felipe Calderon, -- empossado em 2006 --, está cada vez mais sozinho na deflagrada “guerra às drogas” contra os cartéis mexicanos.

O presidente Felipe Calderon, -- empossado em 2006 --, está cada vez mais sozinho na deflagrada “guerra às drogas” contra os cartéis mexicanos.

Logo no primeiro dia de mandato presidencial, --e em busca de um fato capaz de fazer esquecer a suspeita de fraude nas eleições em que o favorito Andrez López Obrador foi proclamado derrotado--, Calderon colocou as forças de ordem e o Exército mexicano na “guerra às drogas”.

O aporte financeiro veio de W.Bush, com o Plan Mérida, uma adaptação ao México do igualmente falido Plan Colombia.

Para W.Bush a justificativa apresentada para a parceria era de que 90% da cocaína ofertada nos EUA ingressava pela fronteira do México. Só esquecia W.Bush de dizer que as potentes armas (90%) e as munições (100%) na posse dos cartéis mexicanos tinham sido adquiridas nos EUA e ingressaram pela mesma fronteira de passagem da cocaína.

O grande incentivador de Calderon já deixou a Casa Branca e retornou para o Texas. Deve estar a lamber as feridas, pois 70% das vítimas fatais dessa “war on drugs” são de civis inocentes, ou seja, sem qualquer ligação com os cartéis e com o tráfico de drogas proibidas. Um levantamento de agosto de 2009, ou melhor, o balanço do último ano e meio de ‘war on drugs’, apontava para 8 mil mortes.

Barack Obama já declarou não concordar com a política de guerra às drogas e cortou verbas. Calderon, sem sucesso, foi passar o pires no Japão.

Calderon, quando iniciou a “guerra às drogas” contra os cartéis, que antes de assumir o poder responsabilizava pela escalada da violência, chegou a obter o apoio de 70% da população e, segundo analistas, conseguiu, com isso, legitimar-se na presidência.

Hoje, a sociedade civil mexicana percebe que a violência cresceu em progressão geométrica com a “guerra às drogas” de Calderon. Sim, de Calderon, diz a população. Fica claro, assim, que a “war on drugs” é de Calderon e não dela.

Nos últimos seis dias, o México contou 200 mortos em decorrência da “guerra às drogas”, uma aventura de Calderon. Para se ter idéia, os cartéis atacam por ocasião de sepultamentos em cemitérios. Desconfiados de delações, os chefes dos cartéis mandam os seus soldados matarem suspeitos em clínicas de tratamento de toxicodependentes. Para difundir o medo, cortam cabeças e as jogam pelas estradas.

Ontem, na Ciudad Juarez (fronteira com os EUA), duas mulheres e quatro homens foram executados numa clínica de tratamento de dependentes de drogas. Cerca de 15 membros do cartel de Juarez invadiram a clínica e executaram as vítimas que suspeitavam de delações.

Depois desse trágico episódio, Calderon, sem apoio popular, falou à imprensa: - “Essa não é apenas uma batalha do presidente mas de todos os mexicanos. E também de todos os que têm responsabilidade pública”.

A respeito, até as múmias do magnífico Museu Antropológico da cidade do México, balançaram negativamente a cabeça depois da fala de Calderon.

Em resumo: a “war on drugs” de Calderon e Bush está, desde 2006, sendo vencida pelos cartéis.