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Grupos opositores cubanos se unem contra o regime castrista

por AFP — publicado 28/02/2013 10h33, última modificação 06/06/2015 18h26
Dois proeminentes opositores cubanos, José Daniel Ferrer e Guillermo Fariñas, se unem na tentativa de criar uma união dentro da fragmentada oposição cubana, em um momento de transição no regime

HAVANA (AFP) - Dois proeminentes opositores cubanos, José Daniel Ferrer e Guillermo Fariñas - ganhador do Prêmio Sakharov 2010 do Parlamento Europeu -, anunciaram na quarta-feira 27 a fusão de seus grupos e expressaram dúvidas de que o novo número dois cubano, Miguel Díaz-Canel, seja um reformista.

Fariñas, que dirige o Fórum Antitotalitário Unido na cidade de Santa Clara, e Ferrer, que lidera um grupo opositor ativo no leste da ilha, afirmaram que outros dissidentes se uniram ao novo movimento, em um país comunista onde toda a oposição é ilegal.

"Consideramos que estamos vivendo um momento histórico e que é o momento de se unir acima das ambições pessoais", ressaltou Fariñas em uma coletiva de imprensa em Havana, acompanhado de Ferrer.

Ambos minimizaram a designação de Díaz-Canel, de 52 anos, como primeiro vice-presidente do último mandato do presidente Raúl Castro, o que marca o início de uma substituição geracional.

"Não há indícios de que (Díaz-Canel) queira ser um Gorbachov", disse Ferrer em alusão ao líder reformista soviético que emergiu das estruturas do partido único, em um processo que conduziu à desintegração da União Soviética em 1991.

"Temos que ver se ele aspira se tornar um (Slobodan) Milosevic (o ex-presidente sérvio julgado por crimes de guerra) ou um Gorbachov", salientou Fariñas, de 51 anos que afirmou ser "amigo" de Díaz-Canel, pois ambos cresceram juntos em Santa Clara. "Jogamos basquete desde os nossos sete anos".

O novo movimento conservará o nome do grupo de Ferrer, União Patriótica de Cuba (Unpacu), e seu coordenador-geral será Félix Navarro Rodríguez, que fez parte do grupo de 75 dissidentes presos na "primavera negra" de 2003 e condenados a longas penas de prisão, tendo sido posteriormente libertados.

Ferrer disse que oito dos 14 membros do grupo de dissidentes que permanecem na Ilha aderiram à nova Unpacu, incluindo o próprio Ferrer, de 42 anos.

"Usaremos todos os métodos pacíficos adaptáveis à nossa realidade", disse Fariñas, um psicólogo de 51 anos que completou cerca de vinte greves de fome contra o regime.

A oposição cubana tem estado muito fragmentada, com ativistas sem poder de reunião, assim como grupos no exílio que não conseguem ter influência dentro do país.

O próprio Fariñas admitiu que esta é a 12ª vez que assiste ao lançamento de uma "nova oposição".

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