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Reunião do G8

Grupo quer Grécia no euro e estímulo ao crescimento

por Redação Carta Capital — publicado 19/05/2012 20h41, última modificação 19/05/2012 21h06
Líderes pedem reformas e Alemanha desmente plebiscito para gregos decidirem permanência na moeda única
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Obama concede uma coletiva entre o presidente francês, François Hollande, e o premier britânico, David Cameron. Foto: Mandel Ngan/AFP

Os líderes dos países do G8 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Rússia) pediram em reunião nos EUA no sábado 19 uma Zona do Euro "forte e unida" com a manutenção da Grécia, que para isso deveria respeitar os compromissos de austeridade assumidos.

Mas a assunto que ganhou maior destaque foi a suposta sugestão da chanceler alemã Angela Merkel para um referendo na Grécia, paralelamente às eleições legislativas de junho, no qual  a população decidiria sobre a manutenção do país na moeda única.

Os dirigentes dos principais partidos políticos gregos e a imprensa local criticaram no sábado o comentário, negado pela chancelaria alemã. "O povo grego não precisa de um referendo para provar sua escolha pelo euro, pelo qual já paga o preço fazendo sacrifícios", afirmou Antonis Samaras, líder do conservador Nova Democracia, partido mais votado na eleição de 6 de maio.

"Merkel está acostumada a dirigir-se às autoridades políticas da Grécia como se fosse um país de protetorado", alfinetou Alexis Tsipras, líder da legenda de esquerda radical Syriza, dona de um surpreendente segundo lugar no pleito.

Evangelos Venizelos, líder do socialista Pasok, disse que o principal problema do país é a saída da crise e não a manutenção no euro. "A celebração de um referendo é competência exclusiva do governo e do Parlamento grego, e não da União Europeia ou de governos de outros países membros."

Além da preocupação com a Grécia, os líderes do G8 se comprometeram a "estimular o crescimento", adotando medidas contra os déficits. "Para aumentar a produtividade e o potencial de crescimento de nossas economias apoiamos as reformas estruturais, do mesmo modo que investimentos em educação e na modernização das infraestruturas", destaca o grupo.

As iniciativas seriam financiadas por "mecanismos variados", incluindo o setor privado. "Nossa obrigação é estimular o crescimento e os empregos. "Estamos determinados a adotar todas as medidas necessárias para reforçar e revigorar nossas economias, e celebramos as discussões que se desenvolvem na Europa em relação à forma de alentar o crescimento."

Os líderes ressaltaram, no entanto, que as medidas a serem tomadas "não são as mesmas para cada um" dos países. Pouco antes, Obama, anfitrião do encontro, havia dito que a busca pelo crescimento e a luta contra os déficits devem andar lado a lado.

Em busca de crescimento

Em meio ao ambiente de debate sobre crescimento, foi anunciada a realização de uma cúpula entre o presidente francês François Hollande, Angela Merkel, e o chefe do governo da Itália, Mario Monti, no próximo mês em Roma.

O encontro entre as autoridades das três maiores economias do euro será realizado antes das eleições legislativas na França, previstas para ocorrer entre 10 e 17 de junho.

Monti se pronunciou recentemente em favor do apoio ao crescimento econômico com o objetivo de compensar o impacto das medidas de austeridade orçamentária, particularmente severas em seu país.

O premier italiano saudou a eleição de François Hollande na França, já que o novo governante fez campanha com base no estímulo ao crescimento, com o risco de entrar em confronto com Merkel, defensora da luta contra os déficits.

Monti exortou o conselho europeu de 23 de maio a "definir medidas concretas, como um reforço do capital do Banco Europeu de Investimentos, as obrigações destinadas aos projetos (de infraestrutura) e uma evolução para os eurobônus".

Irã

Os dirigentes do G8 e da UE efetuaram uma revisão geral de temas geopolíticos delicados na noite de sexta-feira 18, principalmente os programas nucleares iraniano e norte-coreano, além de Mianmar e Síria.

Obama disse que o G8 considera que Teerã tem o direito a um programa nuclear pacífico, mas suas “violações contínuas das normas internacionais e sua incapacidade de provar até aqui que não tenta militarizá-lo constitui uma grave fonte de preocupação".

"Estamos firmemente comprometidos em manter a política de sanções e pressões, em conjunto com as negociações diplomáticas. Esperamos conseguir resolver este problema de forma pacífica, respeitando a soberania do Irã e seus direitos na comunidade internacional, mas que (o Irã) reconheça também suas responsabilidades", declarou.

A poucos dias da retomada das negociações do Grupo dos Seis (EUA, França, Rússia, Reino Unido, China e Alemanha) com a República Islâmica em Bagdá, Obama afirmou que seus sócios estão esperançosos em relação aos resultados.

Em relação à Síria, o presidente dos EUA evocou a necessidade de um "processo político" no país, assolado por uma revolta reprimida de forma violenta pelo regime de Bashar al-Assad.

Essa afirmação vaga não conseguiu camuflar as diferenças persistentes com Moscou, cuja posição sobre seu aliado sírio não mudou. Um conselheiro do Kremlin, Mikhail Margelov, considerou no sábado que "não pode haver mudança de regime pela força".

Com informações AFP.

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