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Grécia vai às urnas sob olhar atento do mundo

por Redação Carta Capital — publicado 17/06/2012 10h14, última modificação 06/06/2015 17h36
Um governo de coalizão antiausteridade pode significar o rompimento com a moeda única
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Urnas já estão abertas na Grécia. Foto: Michalis Karagiannis/AFP

A Grécia vai às urnas neste domingo 17 em eleições legislativas acompanhadas com grande interesse e expectativa pelas autoridades europeias. O pleito é visto quase como um referendo a favor ou contra a permanência do país na Zona do Euro. O resultado preocupa o mundo, começando pelos países do G20 que se reúnem a partir de amanhã no México, mas os mercados asiáticos serão os primeiros a reagir aos resultados eleitorais.

As urnas foram abertas às 4h (1h de Brasília) para os 9,9 milhões de eleitores gregos e fecharão às 16h (13h de Brasília), momento em que são esperadas as primeiras estimativas baseadas em pesquisas de boca de urna. Segundo a última sondagem oficial publicada há duas semanas,  o partido conservador Nova Democracia (ND)  e o Syriza, da extrema radical, estão empatados. Pesquisas não autorizadas concedem, no entanto, uma vantagem mínima a Antonis Samaras, de 61 anos, líder do ND, sobre Alexis Tsipras, de 37 anos, chefe do Syriza.

A nova votação acontece após os vencedores das eleições de 6 de maio não terem conseguido formar um governo. Samaras se apresenta como o fiador da manutenção da Grécia no euro, ao mesmo tempo em que quer rever o plano de rigor negociado com os credores internacionais em troca de ajuda financeira.  Seu rival, muito mais carismático, mas temido pelos mercados financeiros, exige acabar com este memorando assinado pelos partidos tradicionais "submetidos ao diktat dos credores". Tsipras disse neste domingo, após votar em Atenas, que a Grécia perdeu o medo e que seu partido abre "caminho para um país de justiça social, membro em igualdade de uma Europa que muda".

Seja qual for o resultado das eleições, os partidos líderes nas pesquisas parecem interessados em renegociar o plano de ajuda de 130 bilhões de euros do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia, apesar da necessidade de fazer concessões. Até o momento, FMI e Alemanha insistem que o novo governo deverá respeitar as promessas feitas em março.

Analistas ouvidos pela agência de notícias AFP acreditam que a Europa vai ter que negociar com a Grécia. Mas seria mais fácil ajustar o plano de ajuda se o ND vencer as eleições, já que Samaras indicou que respeitará o programa previsto.  "A questão é saber se o novo governo vai querer negociar de boa fé e se a UE vai querer continuar com a ajuda", resume o economista do FMI, Simon Johnson, atualmente professor do Massachusetts Institute of Technology. "O FMI fará o que puder, mas começamos a ficar sem opções."

Jacob Kirkegaard, do Instituto Peterson sobre Economia Internacional em Washington, acredita ser provável que se alcance um acordo, seja qual for o resultado das eleições. "Inclusive uma vitória do Syriza não levará a Grécia a sair do euro, o que continua sendo uma possibilidade muito remota."

Com informações AFP.

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