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Internacional

Relatório da ONU

Governo sírio matou crianças e realizou estupros em massa

por Redação Carta Capital — publicado 29/11/2011 09h15, última modificação 29/11/2011 10h27
Comissão da ONU relata abusos do regime de Assad ao reprimir manifestações e pede ação do Conselho de Segurança para impedir que violações continuem
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O projeto prevê o congelamento das transações comerciais com a Síria. Foto: ©AFP / louai beshara

Pouco depois da Liga Árabe aprovar sanções contra a Síria, a ONU divulgou um relatório relatando abusos do regime de Bashar Al-Assad. Segundo o documento, forças militares e de segurança teriam cometido execuções e torturas durante todo o período em que reprimiu manifetações contra o governo. Dentre as violações, que constituem crimes contra a humanidade, constam tortura e assassinato de crianças.

“Forças do Estado atiraram indiscriminadamente nos manifestantes, inclusive na cabeça”, diz o documento, produzido pela Comissão Internacional Independente de Investigações da ONU, entregue na segunda-feira 28 para o Alto-Comissariado para Direitos Humanos. Soldados teriam recebido ordens para usar armas letais sem aviso prévio. Há relatos de prisões arbitrárias durante as manifestações, mas tambémem vilas. Depois de cercá-las, as forças de segurança teriam prendido em massa 400 pessoas, incluindo crianças e mulheres.

 

Agressões com cabos, posições estressantes durante várias horas e choques elétricos eram algumas técnicas de tortura relatadas pelo regime. Crianças também teriam sido vítimas da prática. O relatório cita o caso de duas crianças – de 13 e 14 anos – que, presas pelo regime sírio, retornaram mortas. No laudo post-mortem, há claras indicações de que teriam sido torturadas até a morte.

O documento indica que 256 crianças foram assassinadas em novembro. Além disso, muitas sofreram traumas por contas da violência das manifestações. Há o relato de um jovem de 15 anos violentado sexualmente na frente do pai. A prática do estupro era generalizada. Há relatos de pessoas que testemunharam familiares sendo violentados. Homens sofriam estupros suscetivos. “Um homem de 40 anos viu o estupro de um menino de 11. Ele disse ‘Nunca senti tanto medo na minha vida. Depois eles viraram e disseram que eu era o próximo’. O homem teve de interromper o testemunho”.

As violações são enquadradas em crimes contra a humanidade. O cenário, segundo a ONU, aumenta os riscos de uma guerra civil no país. Responsabilizando o estado sírio, o relatório recomenda que o governo imponha um fim às violações, permita a entrada de comissões de direitos humanos no país, crie hospitais para atender as vítimas, inicie investigações sérias, entre outras ações. Paulo Sérgio Pinheiro, brasileiro que preside a Comissão, afirma que não há como avaliar se o país já vive um conflito armado, por terem sido impedidos de entrarem lá. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Pinheiro ressalta que há cada dia a situação fica pior. Além disso, a comissão recomendou que se tome medidas urgentes, através da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança, para que se implemente as recomendações do relatório.

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