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Coreia do Norte

Governo organiza funeral grandioso para Kim Jong-il

por AFP — publicado 28/12/2011 10h14, última modificação 28/12/2011 10h14
Ato, concebido para ser demonstração de lealdade ao regime e a Kim Jong-un, novo líder do país, reuniu milhares de pessoas em meio à nevasca
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Televisão norte-coreana mostrou imagens de uma limusine preta com um retrato gigante do ditador. Foto: Kcna/AFP

SEUL (AFP) - O governo da República Popular Democrática da Coreia organizou nesta quarta-feira 28 um funeral grandioso para Kim Jong-il. O ato foi concebido para ser uma demonstração de lealdade ao regime e ao filho e herdeiro do antigo líder, Kim Jong-un, já instaurado no poder.

A rede de televisão oficial norte-coreana apresentou durante três horas os desfiles e dezenas de milhares de civis e militares chorando nas ruas pelo líder morto, sob uma persistente nevasca.

As imagens mostravam uma limusine preta com um retrato gigante do que foi o homem forte do regime, passando entre dezenas de milhares de militares que se inclinavam com respeito.

O veículo era seguido por outro carro oficial com um grande ramo de flores brancas, e por um automóvel transportando um caixão negro recoberto com uma bandeira vermelha.

À direita do carro que transportava o caixão caminhava Kim Jong-un, o filho e sucessor de Kim Jong-il à frente do país. Atrás do jovem herdeiro estava, vestido à paisana, Jang Song-thaek, tio político de Kim Jong-un e possível futuro "regente" da nação.

O veículo era escoltado a sua esquerda por vários oficiais das Forças Armadas.

A guarda de honra foi passada em revista por um oficial com uma espada na mão, enquanto uma orquestra tocava o hino nacional. Em outra parte da marcha, um pelotão de soldados fez 21 disparos de fuzil em homenagem ao ex-líder.

"É a maior perda para nosso partido e para a nação", comentou um apresentador da televisão norte-coreana, com a voz embargada.

Segundo a agência oficial KCNA, muitos civis e militares invadiram as ruas da capital e de outras cidades para retirar a neve que caía de forma abundante desde a noite anterior.

Os especialistas esperavam uma demonstração bem orquestrada de lealdade ao regime, inspirada no funeral em 1994 de Kim Il-sung, pai de Kim Jong-il e considerado o fundador da Coreia do Norte.

Pyongyang ordenou que os norte-coreanos que trabalham no exterior com autorização especial regressassem na terça-feira 27 à Coreia do Norte para o funeral do líder Kim Jong-il, segundo a imprensa de Seul, que também destacava que caminhões carregados de flores cruzaram a fronteira entre a China e a Coreia.

"O povo diz adeus ao nosso pai e general com uma tristeza infinita", escreveu na capa o Rodong Sinmun, o principal jornal norte-coreano.

Sucessor

A cerimônia também buscará reforçar a legitimidade do filho de Kim Jong-il. Designado sucessor desde o anúncio da morte de seu pai, no dia 19 de dezembro, Kim Jong-un foi nomeado na manhã desta quarta-feira "líder supremo do partido, do Estado e do Exército" pela agência oficial KCNA, embora oficialmente não ostente estas funções hoje.

Com menos de 30 anos e sem experiência política conhecida, Jong-un é há nove dias o centro das cenas de aflição apresentadas pela televisão estatal no mausoléu Kumsusan de Pyongyang, onde o corpo do homem forte do regime foi exposto em um caixão de cristal.

Examinando os lugares reservados às diferentes autoridades durante as cerimônias, os especialistas da Coreia do Norte esperam entender melhor quais líderes podem dirigir o país junto ao jovem sucessor.

De acordo com Yang Moo-jin, professor de estudos norte-coreanos na Universidade de Seul, os funcionários vistos ao redor do caixão durante o desfile representam o Partido dos Trabalhadores, o exército e a administração pública. "Eles tiveram um papel fundamental sob Kim Jong-il e deverão ser os pilares do regime de Kim Jong-un", disse.

Kim Jong-un herda um país com a economia no chão, incapaz de alimentar corretamente sua população e com uma cruel dependência de ajuda externa.

Governado por Kim Jong-il segundo a doutrina do "songun" ("primeiro o Exército"), o país dispõe de Forças Armadas compostas por 1,2 milhão de homens, diversos aviões, mísseis, canhões e navios de guerra, além da bomba atômica.

Kim Jong-il governava com mão de ferro desde 1994, quando seu pai, Kim Il-sung, faleceu.

Tornando seus os instrumentos de propaganda paternos e internando em campos milhares de supostos ou reais opositores, conseguiu manter um regime que alguns pensaram que afundaria após a queda da União Soviética e de seu apoio essencial.

Mas uma terrível fome matou milhares de norte-coreanos nos anos noventa, e o país, alvo de sanções internacionais, continua precisando de ajuda em forma de alimentos e energia.

A personalidade e as intenções do inexperiente Kim Jong-un são um mistério, mas os analistas esperam uma forma de regência na qual o tio político do novo número um oficial, Jang Song-thaek, poderia ter um papel de destaque.

A morte de Kim Jong-il fez se multiplicarem as consultas entre os países da região para entender melhor a conjuntura da Coreia do Norte e evitar uma deterioração das relações com a Coreia do Sul, o que possa conduzir a um conflito armado.

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