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Governo argentino ignora referendo nas Ilhas Malvinas

por AFP — publicado 12/03/2013 17h18, última modificação 12/03/2013 17h19
99,8% dos habitantes das ilhas disseram em votação que a região deve seguir como território da Grã-Bretanha

O governo argentino ignorou nesta terça-feira 12 o resultado do referendo nas Ilhas Malvinas, onde seus habitantes se expressaram a favor de seguir como território de ultramar da Grã-Bretanha, no âmbito da disputa pela soberania entre os dois países.

A presidente Cristina Kirchner e seu chanceler, Héctor Timerman, mantinham silêncio nesta terça-feira e apenas a embaixadora em Londres, Alicia Castro, se referiu à convocação realizada no domingo e na segunda-feira aos habitantes das Malvinas.

O referendo "é uma manobra midiática que reflete a fraqueza da posição" de Londres, afirmou à rádio argentina FM Millenium Castro, que se tornou a porta-voz oficial sobre o tema.

A posição a favor de que as ilhas continuem sendo território de ultramar da Grã-Bretanha obteve 99,8% dos votos, com apenas três contra, em uma consulta da qual 92% dos 1.672 eleitores ilhéus participaram.

A diplomata considerou que o resultado da consulta "expressa a opinião de cerca de 1.600 cidadãos britânicos contra milhares e milhares de pessoas que reconhecem a soberania argentina" sobre as Malvinas.

A Presidência permanecia nesta terça-feira em silêncio, enquanto o último comunicado da chancelaria, de sábado passado, fixou a posição oficial de considerar o referendo "uma tentativa britânica de manipular a questão das Malvinas".

"Não há novas declarações nem comunicados da chancelaria, e pelo momento não se espera que sejam feitos", disse nesta terça-feira à AFP uma fonte do Ministério das Relações Exteriores.

O governo argentino quer desacreditar o referendo, ao qual havia classificado de ilegal e carente de base política por considerar que a população britânica foi implantada desde a ocupação em 1833 destas ilhas do Atlântico Sul por parte da Grã-Bretanha.

"Diferentemente de outros casos de colonizações, este referendo não foi convocado pelas Nações Unidas, nem conta com sua aprovação ou supervisão", afirmou Castro.

A Argentina exige por via diplomática a soberania sobre o arquipélago austral, depois de ter perdido, em 1982, uma guerra contra o Reino Unido com um registro de 649 argentinos e 255 britânicos mortos.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, pediu nesta terça-feira que a Argentina respeite o resultado do referendo.

"Os habitantes das Falkland (nome britânico das Malvinas) não podiam de manifestar com mais clareza. Querem continuar sendo britânicos e todo o mundo, incluindo a Argentina, deve respeitar este ponto de vista", disse Cameron.

"Eles são britânicos e a lei britânica os reconhece como tais, mas o território que habitam não é", respondeu a embaixadora Castro.

Ela acrescentou que a "Argentina não tenta mudar sua identidade e seu modo de vida, mas há um direito que não têm, que é de decidir sobre o destino de nosso território ou resolver a controvérsia de soberania".

No entanto, o ex-senador da opositora União Cívica Radical (UCR, social-democrata) Rodolfo Terragno considerou que o resultado do referendo "deu razão à Argentina", que deve levar o resultado ao Comitê de Descolonização da ONU.

"Desde ontem (segunda-feira), a Grã-Bretanha não pode mais dizer que os habitantes das Malvinas são uma terceira parte no conflito anglo-argentino", disse o também ex-chefe de Gabinete do governo de Fernando de la Rúa (1999-2001).

A Argentina exige uma negociação bilateral pela soberania sobre as Ilhas Malvinas, enquanto o Reino Unido afirma que os ilhéus têm o direito à autodeterminação e devem participar das negociações.

Segundo Terragno, os ilhéus admitiram no referendo "que não são um povo, que formam parte do povo britânico, (ou seja, que) são parte do país que disputa as ilhas", razão pela qual "os ilhéus não têm direito a decidir se este solo em que pisam é do país deles ou do nosso".

A maior parte da imprensa argentina ressaltou nesta terça-feira o resultado da consulta foi previsível e óbvio.

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