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Internacional

George Soros

A Alemanha precisa ditar os termos da recuperação europeia

por Redação Carta Capital — publicado 23/08/2011 13h35, última modificação 23/08/2011 13h37
"Berlim não tem escolha a não ser abraçar a ideia de Euro Bonds, a criação de um título da dívida único para a União Europeia", diz ex-investidor

George Soros é um dos mais famosos – se não o mais famoso – empresário e ex-especulador do mercado financeiro internacional. O húngaro-americano, nascido em 1930, é conhecido por ter faturado um bilhão de dólares em um único dia, ao apostar contra o Banco da Inglaterra na década de 1990. Hoje, sua fortuna é estimada em 14,5 bilhões de dólares.

Há cerca de uma semana, Soros concedeu uma entrevista à revista Spiegel Online e comentou a atual situação econômica europeia. Ele não poupou críticas à maneira como a chanceler Angela Merkel tem lidado com o problema, tampouco escondeu sua desilusão com a política econômica de Barack Obama, para quem fez generosas contribuições durante a campanha presidencial de 2008. No contexto europeu, “falta à Alemanha assumir seu papel de liderança para tirar o continente da crise”, disse o empresário.

“O futuro do Euro depende da Alemanha. Os alemães estão no banco do motorista porque formam o maior país da Europa, com a melhor qualificação de crédito e com superávits crônicos. Numa crise, o credor sempre dá as cartas”, explicou o investidor à Spiegel Online. Para Soros, Berlim não tem escolha a não ser abraçar a ideia de Euro Bonds, a criação de um título da dívida único para a União Europeia. A ideia da criação deste título é particularmente hostil para os alemães, uma vez que significaria ter de garantir a dívida de países menores e mais frágeis.

“Infelizmente, os alemães têm algumas ideias engraçadas. Eles querem que o resto da Europa siga o seu exemplo. Mas o que funciona para a Alemanha não funciona para o restante da Europa: nenhum país pode produzir superávits crônicos sem que outros produzam déficits”, analisou. Para equilibrar o cenário, a Europa precisa adotar regras fiscais comuns a todos os países da zona do Euro, que garantam a redução gradual do endividamento e assegurar aos países com altas taxas de desemprego, como a Espanha, que seu déficit serão aceitos até que a economia se recupere.

Para Soros, a Alemanha lidou mal com a crise desde o início, entre o final de 2008 e o início de 2009, quando Merkel disse que os eventuais resgates financeiros a bancos e corporações seriam feitos por cada membro da União Europeia individualmente, e não num contexto unificado. A declaração minou o conceito de uma forte resposta europeia contra a crise. “A fala de Merkel foi a origem da crise do euro. Despedaçou a visão de que a União Europeia protegeria o Euro em um esforço conjunto”.

A Grécia deveria deixar o bloco?
Mais adiante na entrevista, Soros defendeu que a saída da Grécia da moeda comum poderia ser a melhor solução para o problema grego. A Europa, o Euro e o sistema financeiro, argumenta, sobreviveriam à saída da Grécia e de Portugal. “Os remanescentes ficariam mais fortes e mais fáceis de lidar com seus problemas”. Qualquer movimento de desvinculação deveria vir acompanhado de rígidas regras para garantir a sobrevivência do sistema bancário europeu. “O sistema bancário europeu, inclusive o Banco Central Europeu, tem de ser indenizado pelas suas perdas. Os depositantes nos bancos gregos também precisam ser protegidos. De outro modo, os depositantes na Irlanda ou na Itália não se sentiriam seguros”.

Como ex-investidor, Soros garante que continua a apostar no Euro pelo interesse da China na moeda. “Você pode confiar na China para apoiar os esforços das autoridades europeias para manter o Euro porque existe um ineteresse chinês em ter uma alternativa ao dólar”. É essa a razão, diz, para a moeda europeia ter-se mantida valorizada em relação ao dólar nos últimos anos. “Existe um comprador misterioso que continua a dar força ao Euro”.

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