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Fundamentalismo e Paquistão

por The Observer — publicado 12/01/2011 15h20, última modificação 14/01/2011 15h03
Na aldeia da cristã condenada à morte, pouca simpatia por quem a defende

Na aldeia da cristã condenada à morte, pouca simpatia por quem a defende

Aasia bibi não está em casa. Crianças brincam junto ao portão azul de sua casa modesta em Itanwali, uma sonolenta aldeia do Punjab, ao norte do Paquistão. Bibi, a mulher que está no centro da fúria contra a blasfêmia no país – que provocou o assassinato do governador do Punjab, Salmaan Taseer, na semana passada – está na cadeia, rezando desesperadamente para que não seja executada. Seus vizinhos esperam que ela o seja.

“Por que ainda não foi morta?”, disse Maafia Bibi, uma jovem de 20 anos parada diante do portão da casa ao lado. Seus olhos brilham por trás de um xale que lhe cobre o rosto. “Vocês, jornalistas, continuam vindo aqui e fazendo

perguntas, mas a questão está resolvida. Por que ela não foi enforcada?”

Maafia fazia parte de um grupo de cerca de quatro mulheres que acusaram Bibi, também conhecida como Aasia Noreen, que é cristã, de insultar o profeta Maomé durante uma briga na roça, 18 meses atrás. Mas ela não quer especificar o que Bibi disse exatamente, porque repetir as palavras também seria uma blasfêmia. E por isso Bibi foi condenada à forca por uma mera fofoca – uma distorção kafkiana que parece incomodar poucas pessoas na aldeia de Itanwali, a cerca de 50 quilômetros de Lahore.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 629, já nas bancas.

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