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Fundadores de movimento pró-democracia em Hong Kong se entregam

por AFP — publicado 03/12/2014 09h46, última modificação 03/12/2014 10h07
Criadores do Occupy Central pediram aos manifestantes que abandonem os locais ocupados no momento em que cresce o protagonismo dos radicais
JOHANNES EISELE/AFP
Fundadores do Occupy Central

Benny Tai, Chan Kin-man e Chu Yiu-ming se entregam e criticam ações violentas da polícia

Os três fundadores do Occupy Central, principal movimento pró-democracia de Hong Kong, anunciaram entre lágrimas na terça-feira 2 que se entregarão à polícia e pediram aos manifestantes que abandonem os locais ocupados há mais de dois meses.

"Enquanto nos preparamos para nos entregarmos, nós três pedimos aos estudantes que recuem" para "transformar" a natureza do movimento, afirmou um dos líderes do Occupy Central, Benny Tai.

O anúncio aconteceu depois de centenas de manifestantes pró-democracia enfrentarem a polícia no domingo 29, o que deixou dezenas de feridos em uma das piores noites de violência desde o início dos protestos.

Os três fundadores afirmaram que pretendem se entregar à polícia em cumprimento ao Estado de direito e ao "princípio de paz e amor". "Render-se não é fracassar, e sim uma denúncia silenciosa de um governo sem coração", disse Tai.

O ativista destacou a coragem dos ocupantes e criticou a polícia por estar "fora de controle". Ele disse que chegou o momento para que os manifestantes abandonem este "local perigoso".

Os professores Tai e Chan Kin-man, assim como o pastor batista Chu Yiu-ming, fundaram o grupo de desobediência civil Occupy Central no início de 2013 para pressionar o governo por reformas políticas, mas, nas últimas semanas, optaram por um papel mais discreto, ante o protagonismo crescente dos grupos mais radicais. Até o momento, não foi possível descobrir qual será a resposta ao apelo de Tai.

O líder estudantil Joshua Wong e outros dois colegas iniciaram uma greve de fome na segunda-feira em uma última tentativa de forçar o governo local a negociar. Apesar da falta de uma ordem específica de prisão contra os fundadores do movimento, as autoridades de Hong Kong e da China insistem que os protestos são ilegais. Os manifestantes começaram a bloquear as principais avenidas em três pontos do território no fim de setembro.

Tai afirmou que não sabe como a polícia responderá a sua rendição, mas destacou que os três estão preparados para todas as consequências. Ele acrescentou que o Occupy Central seguirá agora uma direção diferente para promover o movimento de desobediência civil, incluindo a educação e um novo estatuto.

O acampamento numa das principais vias de Hong Kong persiste
O acampamento numa das principais vias de Hong Kong persiste

 

Os manifestantes liderados pelos estudantes exigem eleições livres, sem a pré-seleção de candidatos das autoridades desta cidade chinesa semiautônoma. O principal acampamento de protesto bloqueia um longo trecho de via expressa de várias faixas no distrito Admiralty, no centro de Hong Kong.

As autoridades comunistas chinesas insistem que os candidatos para as eleições de 2017 devem ser selecionados por um comitê do regime, mas os manifestantes reclamam que esta situação levará à eleição de um fantoche de Pequim. "Esperamos que depois da greve de fome tenhamos uma oportunidade de falar claramente com as autoridades do governo. E que depois exista uma possibilidade de resolver este problema de Hong Kong", afirmou Wong, 18, à imprensa.

O chefe do Executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying, que tem a renúncia exigida pelos manifestantes, pediu aos estudantes que tenham cuidado. "Eu espero que os estudantes que estão participando na greve de fome possam cuidar de sua saúde, especialmente agora que está mais frio", declarou aos jornalistas.

A ex-colônia britânica, um território chinês que goza de ampla autonomia, enfrenta a pior crise política desde que foi devolvida a Pequim, em 1997. Seus moradores têm direitos que não existem na China continental, mas o sentimento de que as liberdades estão ameaçadas é cada vez maior.