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Internacional

Franceses vão às urnas para escolher entre Hollande e Sarkozy

por AFP — publicado 05/05/2012 21h39, última modificação 06/06/2015 18h59
O central-esquerdista François Hollande é favorito para derrotar o atual presidente, Nicolas Sarkozy, de centro-direita; 45 milhões de pessoas devem comparecer às urnas
eleições frança

Fila para votação em Saint-Pierre, no Atlântico Norte. Foto: ©AFP / Jean-Christophe L'espagnol

PARIS (AFP) - Cerca de 45 milhões de franceses escolherão neste domingo 6 seu presidente da república para os próximos cinco anos entre os finalistas do primeiro turno: o atual presidente e candidato conservador, Nicolas Sarkozy, e o socialista François Hollande.

Hollande, que no dia 22 de abril obteve 28,63% dos votos (frente a 27,18% para Sarkozy), mantém firme sua condição de favorito, apesar de a margem que os separa ter sido reduzida entre meio ponto e dois pontos nestas duas semanas.

As sondagens divulgadas na sexta-feira apontam Hollande com algo entre 52,5% e 53,5% dos votos, contra de 47,5% a 46,5% para Sarkozy.

A campanha eleitoral terminou oficialmente nesta sexta-feira e agora, pela lei, os candidatos devem se manter em silêncio. Também é proibido publicar sondagens até o fechamento das urnas às 18H00 GMT (15H00 de Brasília) de domingo.

O segundo turno da eleição presidencial francesa foi iniciado formalmente neste sábado com a abertura de quatro postos de votação em Saint-Pierre e Miquelon, no Atlântico Norte.

Também votarão no sábado os cidadãos de Guiana, Guadalupe, Martinica, San Martin, Polinésia Francesa, Wallis e Futuna e Nova Caledônia, assim como os franceses no continente americano. Na França metropolitana, os colégios abrirão no domingo às 08H00 local (06H00 GMT; 03H00 de Brasília).

Após o fechamento da campanha, Hollande pediu a seus compatriotas para que lhe dessem uma amplia vitória. "Se os franceses devem eleger alguém, que o façam claramente, massivamente, que deem seus votos aquele que possui a capacidade e os meios para atuar", afirmou na sexta-feira.

O candidato socialista disse ainda que representa "mais que a esquerda". "Represento a todos os republicanos, os humanistas, os apegados aos valores e princípios", disse em Moselle (leste).

Na quinta-feira, Hollande recebeu o apoio do dirigente centrista François Bayrou (que recebeu 9,13% de votos no primeiro turno), que disse que votaria nele mesmo sem o consentimento de seus partidários.

Sarkozy, por sua vez, depositou suas últimas esperanças em uma forte participação popular. "Verão uma grande surpresa", afirmou na sexta-feira, pedindo de novo a mobilização da "maioria silenciosa, dos que se abstém, dos eleitores da extrema-direita", durante uma viagem a Sables d'Olonnes (oeste).

O presidente voltou a mencionar a ameaça de que a França entrará em uma crise como a da Espanha se os socialistas chegarem ao poder.

"Vejam a Espanha. Querem a mesma situação? Não se trata de dar medo. A questão é olhar o outro lado da nossa fronteira", declarou.

Contudo, as perspectivas são mais que sombrias para Sarkozy. Não só as sondagens lhes são desfavoráveis, como ele também não obteve apoio de nenhum dos candidatos que foram desclassificados no primeiro turno.

A dirigente da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen (terceiro lugar no primeiro turno, com quase 18%), disse que votaria em branco e criticou com virulência ao presidente, apesar de este ter centrado boa parte de sua campanha em questões de imigração e segurança para atrair ao eleitorado ultradireitista.

Essa estratégia espantou boa parte do eleitorado centrista e foi o motivo que levou Bayrou a anunciar sua decisão "pessoal" de votar por Hollande.

O candidato socialista se beneficiou, por outro lado, do apoio incondicional do candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon (11,10% dos votos no primeiro turno) e da ecologista Eva Joly (2,31%).

A eleição francesa é observada com especial atenção pela União Europeia (UE), afetada pela crise da dívida, devido a proclamada vontade de Hollande de renegociar o pacto fiscal, com duros ajustes, impulsionado pela Alemanha, para incluir políticas de reativação do crescimento.

Caso seja eleito, Hollande seria o segundo presidente socialista da V República (proclamada por De Gaulle em 1958), depois de François Mitterrand (1981-1995).

Uma derrota de Sarkozy poderá gerar uma profunda recomposição da direita francesa.

O chefe da União pelo Movimento Popular (UMP), Jean-François Copé, disse que, após o segundo turno, "será preciso abrir uma nova página na história" desse partido, apesar de essas declarações não se situarem em absoluto na perspectiva de uma derrota de Sarkozy, e sim de uma vitória.

O jornal Le Monde apontou na sexta-feira "a agitação da direita ante o risco de uma derrota" e apontava que três de seus principais líderes - Copé, o primeiro-ministro François Fillon e o ministro de Relações Exteriores Alain Juppé - "parecem preparar a tomada de controle da UMP depois do veredicto de 6 de maio".

"Nos bastidores, a pós-derrota ocupa já todas as mentes", acrescentou o jornal.

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