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França recebe aprovação, mas luta no Mali segue solitária

por Deutsche Welle publicado 16/01/2013 09h41, última modificação 16/01/2013 09h41
Nações Unidas e Otan apoiam os bombardeios contra terroristas islâmicos no norte do Mali, mas deixam claro que não pretendem enviar tropas. França deverá aumentar o contingente de soldados nos próximos dias.

A força aérea da França bombardeia desde a última sexta-feira grupos islâmicos no norte do Mali. Os ataques visam proteger a capital Bamaco e evitar que rebeldes dominem o país africano. A intervenção francesa, iniciada antes que uma autorização formal pudesse ser discutida, recebeu o apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e de potências ocidentais.

Após uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança nesta segunda-feira (14/01), o embaixador francês na ONU reafirmou o apoio. "Todos os nossos parceiros reconhecem que a França está agindo de acordo com as leis internacionais e a Carta das Nações Unidas", disse Gérard Araud.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também saudou a intervenção francesa no Mali. Em comunicado, Ban diz esperar que os bombardeios possam cessar a ofensiva dos terroristas na ex-colônia francesa. "A meta é colocar a resolução 2.085 da ONU em prática o mais rápido possível", declarou o secretário-geral. A resolução, aprovada em dezembro, prevê o restabelecimento da ordem constitucional e da integridade territorial do Mali com a ajuda de uma mobilização militar sob comando africano.

Um general nigeriano já está na capital Bamaco, e a França vai continuar enviando soldados ao Mali. Durante uma visita a Abu Dhabi, o presidente francês, François Hollande, declarou que atualmente 750 soldados estão em território malinês e que este número vai aumentar. O diário francês Le Monde relatou que o contingente das forças armadas aumentará para 2.500 militares. "A França tinha que intervir de maneira urgente, senão não existiria mais o Mali e sim um Estado terrorista", disse o ministro do exterior, Laurent Fabius, em defesa à investida militar.

UE e Otan aprovam, mas sem ajuda militar

Mas nessa missão a França está sozinha. Por meio de seu porta-voz, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, declarou que "obviamente apoiamos as ações de nossos Estados-membros", mas que a UE não vai enviar tropas ao país africano. Segundo o porta-voz, a Comissão Europeia pretende apenas antecipar o já planejado envio de instrutores militares ao Mali e colaborar com suporte financeiro das tropas africanas.

A Otan adotou o mesmo posicionamento e não planeja participar do conflito. A porta-voz Oana Lungescu informou que a organização saúda a investida francesa, mas permanece passiva. O general francês da Otan, Jean-Paul Palomeros, disse a repórteres estar "muito orgulhoso que a França assumiu a responsabilidade em combater o terrorismo naquele canto do planeta", mas reiterou que essa intervenção é uma ação exclusivamente francesa, com qual a Otan não tem ligação.

Os Estados Unidos reagiram de maneira semelhante. O ministro de Defesa, Leon Panetta, ofereceu ao seu colega francês, Jean-Yves Le Drian, assistência na logística da operação e ajuda com informações do serviço secreto.

Na Alemanha, tanto o ministro de Defesa, Thomas de Maizière, como o ministro do Exterior, Guido Westerwelle, foram contundentes ao afirmar que a Alemanha não enviará tropas ao Mali. De Maizière declarou que o exército alemão pode vir a colaborar com o conflito, mas com uma condição: "É preciso ter uma separação bem clara entre a o treinamento oferecido pela União Europeia, incluindo a Alemanha, [a soldados malineses] e uma ação militar em solo africano".

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