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França enfrenta novo dia de paralisações contra reforma da previdência

por Opera Mundi — publicado 19/10/2010 15h46, última modificação 19/10/2010 16h03
Sexta jornada de protestos é marcada por paralisação no tráfego aéreo e crise de abastacimento nos postos de gasolina

Sexta jornada de protestos é marcada por paralisação no tráfego aéreo e crise de abastacimento nos postos de gasolina

As paralisações no tráfego aéreo e ferroviário da França, somadas ao fechamento de aproximadamente 20% dos postos de gasolina do país, marcam o início da sexta jornada de protestos contra a reforma da previdência liderada pelo presidente, Nicolas Sarkozy.

A tensão entre governo e sindicatos terá reflexos hoje nesta nova jornada de greve, apoiada por 71% dos franceses, segundo uma pesquisa do instituto CSA. Estão programadas 266 manifestações pelo país. As bancas já amanheceram sem jornais. O bloqueio, que há uma semana mantêm todas as refinarias francesas fechadas, fez com que entre 1,5 mil e 2,5 mil postos de gasolina (dos 12 mil da França) tivessem de fechar por problemas de abastecimento, segundo os profissionais do setor.

O abastecimento de combustíveis é especialmente difícil no oeste da França e na região litorânea da Normandia, justamente onde o presidente se reúne com o presidente russo, Dmitri Medvedev e a chanceler alemã, Angela Merkel.

Da cidade de Deauville, Sarkozy reiterou que não desistiria da reforma "essencial" da previdência, que inclui aumentar de 60 para 62 anos a idade mínima de aposentadoria e de 65 para 67 anos a idade para aposentadoria integral. Ele justificou a intervenção do governo para garantir o abastecimento de combustíveis e evitar distúrbios.

Paralisações
A Sociedade Nacional de Caminhos de Ferro (SNCF, na sigla em francês) anunciou hoje que, por enquanto, suas previsões estão sendo cumpridas. Para hoje, está prevista a circulação de 60% dos trens com saída ou destino a Paris, metade dos trens de alta velocidade (TGVs), 25% dos trens regionais e todos os Eurostar. Nos aeroportos de Paris, foram cancelados 50% dos voos de Orly e 30% das chegadas e partidas do internacional Roissy-Charles de Gaulle.

A companhia aérea Air France estimou manter 100% dos voos de longa distância, 80% dos voos de média distância e 50% dos voos de curta distância. Nas rodovias francesas, as ações de bloqueio conhecidas como "operações caracol" começam a ser sentidas sobretudo nas estradas de acesso a Paris.

Um terço dos professores primários também cruzou os braços, segundo os sindicatos, número que o Ministério da Educação reduz para 10%. Além disso, cinco universidades se somarão à greve. Este será um dos pontos mais sensíveis da jornada, já que os protestos estudantis culminaram ontem com 196 detenções e em torno de 20 policiais feridos. A greve também terá repercussão em La Poste - empresa pública de correios -, na France Télécom e no setor público audiovisual.

Segurança
A ministra de Justiça francesa, Michèle Alliot-Marie, prometeu hoje "firmeza" contra aqueles que provocarem destruições durante os protestos. "Existem direitos. O direito à greve, o direito a se manifestar. Não existe o direito a destruir", declarou a titular de Justiça à emissora Europe 1. Segundo Alliot-Marie, há um verdadeiro problema porque cada vez que há manifestações com a participação de jovens, se infiltram "pequenos grupos que são pura e simplesmente arruaceiros".

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