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França e Alemanha querem 'novo tratado' da UE até março

por AFP — publicado 05/12/2011 18h37, última modificação 06/06/2015 18h57
Países devem apresentar iniciativa para resgate da Zona do Euro que pede sanções automáticas a nações do bloco com déficit acima de 3%do PIB
merkel e sarkozy

Talvez a única saída neste funesto momento europeu é o crescimento, com geração de renda e aumento dos gastos públicos. Foto: AFP

PARIS (AFP) - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta segunda-feira no final de uma reunião com a chanceler alemã, Angela Merkel, que os dois países querem um "novo tratado" da União Europeia (UE) e que esperam um acordo entre os 17 membros da Eurozona "até março".

"O acordo franco-alemão é o mais completo" e será enviado detalhadamente ao presidente da UE, Herman Van Rompuy, na quarta-feira, véspera da nova reunião de cúpula da UE, afirmou Sarkozy depois de um almoço de trabalho com Merkel para elaborar uma "iniciativa conjunta" que permita resgatar a zona do euro e evitar a propagação da crise da dívida para outros países.

Sarkozy explicou que a França e a Alemanha desejam um novo tratado da UE para seus 27 países ou para os 17 que formam a Eurozona, aos quais podem ser somados Estados voluntários.

Após a reunião de mais de duas horas no Palácio do Eliseu, sede da presidência francesa, os dois dirigentes pediram "sanções automáticas" para os países da UE cujo déficit supere 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

"Queremos sanções imediatas no caso de violação da regra do déficit" do PIB, declarou Sarkozy, que pediu uma "regra de ouro harmonizada", destinada a reduzir o déficit orçamentário.

Sarkozy afirmou ainda que o "Tribunal Europeu de Justiça não poderá anular os orçamentos nacionais".

Como parte das intensas negociações entre as duas maiores economias da Eurozona, a Alemanha apelou por uma maior disciplina fiscal e orçamentária, enquanto a França pediu mais "solidariedade" na Europa, o que significa querer que o Banco Central Europeu (BCE) compre a dívida dos países em dificuldades e emita Eurobônus, mas Merkel permanece inflexível nesse ponto.

Contudo, Sarkozy voltou atrás nessa questão nesta segunda-feira ao afirmar que os eurobônus não são uma solução para a crise.

"A Alemanha e a França estão totalmente de acordo em dizer que os eurobônus não são, de maneira nenhuma, uma solução para a crise", declarou chefe de Estado francês. "Como convencer outros a fazer os esforços que estamos fazendo se mutualizarmos as dívidas desde já? Não faz o menor sentido", acrescentou.

A reunião foi iniciada às 12H30 GMT (10H30 de Brasília) e tinha como base fazer avançar um projeto conjunto de resgate da Eurozona antes da cúpula europeia de quinta e sexta-feira em Bruxelas.

O almoço de trabalho realizado no Eliseu, sede da presidência francesa, deu forma à "iniciativa" conjunta franco-alemã que contempla uma modificação dos tratados europeus para reforçar a disciplina orçamentária e instaurar medidas de solidariedade para ajudar os países em dificuldades.

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