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Forças de segurança voltam a reprimir manifestações na Síria, dizem agências

por Opera Mundi — publicado 25/04/2011 10h37, última modificação 25/04/2011 10h37
Em Deraa, no sul do país, um dos pontos mais fortes de oposição ao regime, havia três mil homens armados, oito tanques e dois veículos blindados para tentar conter os protestos. Por Daniella Cambaúva

Por Daniella Cambaúva*

Forças oficiais da Síria entraram em confronto com manifestantes da oposição do governo de Bashar Al Assad em pelo menos duas regiões do país nesta segunda-feira (25/04), informaram agências internacionais e o site de notícias da Al Jazeera.

De acordo com a agência de notícias AFP, em Deraa, no sul do país, um dos pontos mais fortes de oposição ao regime, havia três mil homens armados, oito tanques e dois veículos blindados para tentar conter os protestos. A agência Reuters afirma que há corpos estirados em uma rua principal da cidade.

Outro local onde as forças oficiais reprimiram os manifestantes, segundo a Reuters, foi no subúrbio de Douma, em Damasco. Naquela região, as forças teriam atirado em civis desarmados e prendido moradores.

O governo de Bashar Al Assad ainda não contestou a informação de que, nesta segunda-feira, forças oficiais estejam reprimindo violentamente os protestos.

No entanto, a agência oficial síria, Sana, criticou a cobertura feita pelo correspondente da Al Jazeera na capital do país. Sem mencionar quais informações estariam equivocadas, a Sana "denuncia a desinformação” e “exige desculpas do mesmo ao povo sírio ou o fechamento de sua redação [da Al Jazeera] em Damasco".

Mediante as reportagens das agências internacionais, a ONU (Organização das Nações Unidas) deve realizar uma investigação internacional sobre as denúncias de disparos feitos por forças de segurança sírias contra manifestantes em 14 localidades na sexta-feira (22/04) e no sábado (23/04), segundo a Human Rights Watch (HRW).

Al Assad assumiu a presidência em 2.000, depois que seu pai, Hafez al Assad, morreu, após 30 anos no poder.

Fronteira

Hoje, a fronteira entre a Jordânia e a Síria ficou por conta dos distúrbios registrados em território sírio, informaram fontes oficiais jordanianas à agência Efe. Na cidade de Deraa, que é próxima da fronteira com a Jordânia, tropas do Exército e da Polícia foram mobilizadas desde as primeiras horas do dia.

Citado pela Efe, o porta-voz do governo jordaniano disse à agência oficialPetra que o fechamento "está vinculado com a situação interna na Síria" e que se "espera que os postos de fronteira sejam reabertos em breve".

Histórico

Na última quinta-feira (21/03), Al Assad assinou três decretos para tentar atender parte das demandas dos manifestantes: a abolição da Lei de Emergência (em vigor desde 1963), a eliminação do Alto Tribunal da Segurança do Estado e novas normas para as manifestações pacíficas.

A queda do estado de emergência - que autorizava que órgãos de segurança do país reprimissem a oposição, proibia a aglomeração de mais de cinco pessoas, prisões arbitrárias e julgamentos a portas fechadas - era uma promessa feita pelo governo desde o início de março, quando os protestos começaram na Síria.

Líderes da oposição, porém, alegam as manifestações devem continuar porque outras exigências precisam ser atendidas, como a libertação de presos políticos, liberdade de expressão e a instauração de um sistema multipartidário.

Na sexta-feira (22/04), manifestantes convocaram uma grande jornada de protestos em 40 cidades do país. O governo, de acordo com informação das agências de notícias e da Al Jazeera, reprimiu violentamente as manifestações. Não se sabe precisar exatamente quantas pessoas morreram, mas estima-se que o número esteja entre 80 e 110 mortos, de acordo com oposicionistas.

No dia seguinte, quando as vítimas foram enterradas, as forças oficiais foram acusadas de atirar nos funerais, onde havia pessoas protestando pelas mortes do dia anterior.

*Matéria publicada originalmente no Opera Mundi

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