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FMI diz que Argentina tem até dezembro para melhorar seus dados oficiais

por AFP — publicado 19/09/2012 10h53, última modificação 06/06/2015 18h41
Estatísticas oficiais do governo sobre a inflação e até os dados do PIB são motivo de polêmica dentro e fora do país
Kirchner

A presidente argentina, Cristina Kirchner, sofre críticas por maquiar os dados econômicos do país. Foto: ©AFP/Arquivo / juan mabromata

WASHINGTON (AFP) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) lamentou nesta terça-feira 18 a falta de avanços da Argentina para melhorar a qualidade das estatísticas oficiais do país e deu outros três meses de prazo, até 17 de dezembro, para o país pôr suas contas em ordem.

A diretoria do organismo voltará a se reunir nessa data "e avaliará os passos adicionais a partir da resposta da Argentina, alinhados com os procedimentos do FMI", de acordo com o comunicado.

A inflação e até os dados do Produto Interno Bruto (PIB) argentino são motivo de polêmica dentro e fora do país. O FMI pede há mais de um ano para o governo de Cristina Kirchner resolver o assunto.

Em fevereiro, o Fundo deu 180 dias a Buenos Aires para resolver o problema, prazo que acabou na segunda-feira.

Segundo os regulamentos do Fundo, a Argentina deve responder a essas solicitações antes deste novo e último prazo de 17 de dezembro, a partir do qual pode ser iniciado, primeiro, o mecanismo de censura e depois, o de sanções.

Nenhum país foi sancionado nos 68 anos de FMI por causa da qualidade de seus dados.

O FMI, formado por 188 países, realiza avaliações regulares de seus membros como parte de sua monitoração, e a confiança das estatísticas é parte essencial desse processo.

A Argentina, que acusa o FMI de ter contribuído com a sua última grande crise econômica que acabou em default em 2001, mantém relações mínimas com o organismo.

O governo de Kirchner saldou todos seus compromissos financeiros com o FMI em 2006 e, em junho deste ano, determinou o cancelamento da dívida com outros organismos internacionais. Buenos Aires se recusa a aceitar as missões de avaliação do Fundo desde 2006.

A Argentina aceitou, contudo, que especialistas do Fundo aconselhassem o país sobre como criar um índice de inflação nacional confiável, em um processo que acabou em janeiro, sem resultados visíveis.

Analistas privados argentinos e investidores internacionais questionam as cifras do país sul-americano e há iniciativas no Congresso norte-americano para que essa situação acabe em sanções comerciais.

Em agosto deste ano, a Argentina apresentava uma inflação de 10% interanual segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (INDEC).

No entanto, esse índice que, na realidade, é o de Buenos Aires e sua periferia, é aproximadamente a metade do que as consultorias privadas projetam e do que a oposição divulga.

A divergência entre essas empresas privadas e o INDEC ganhou contornos políticos e provocou sanções do governo.

O artigo VIII do regulamento interno do FMI estabelece um processo relativamente longo a partir de dezembro.

A diretora gerente do Fundo, Christine Lagarde, deve informar ao organismo de novo, e se não houver mais avanços, a Diretoria poderá votar a perda de acesso aos programas do Fundo.

Essa perspectiva não deve preocupar a Argentina, que rejeita as ajudas do FMI, considerou Claudio Loser, ex-economista chefe do FMI para América Latina e crítico das posturas do país.

"Conseguiram um pouco de tempo, mas não acredito que vão tomar uma medida", porque isso implicaria reconhecer uma inflação muito mais alta do que a oficial, considerou Loser.

A Diretoria do Fundo pode continuar avaliando a situação a cada seis meses e se as divergências continuarem, o direito à voto da Argentina pode ser retirado e, finalmente, decretada sua expulsão.

"Há países que mentiram quando tinham programas (de empréstimo) com o Fundo, houve problemas desse tipo com a Jamaica e o Peru, há anos, mas não lembro de um caso desse tipo", explicou Loser.

A Tchecoslováquia foi expulsa do Fundo em 1954 por desavenças quanto à metodologia, mas os motivos reais foram ideológicos, em plena Guerra Fria, lembrou o especialista.

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