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FMI arrecada 430 bilhões de dólares em reservas

por Redação Carta Capital — publicado 21/04/2012 12h48, última modificação 06/06/2015 18h58
Brasil colabora, mas exige maior participação dos emergentes no fundo e ironiza conselhos econômicos do órgão ao País
FMI

Membros do G-20 reunidos em Washington. Foto: Alex Wong/AFP/Getty Images /

O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou na sexta-feira 20 ter arrecadado mais de 430 bilhões de dólares como reserva para intervir em possíveis crises econômicas. Os emergentes, principalmente Brasil, Índia, Rússia e China, contribuíram com significativas quantias no valor final.

"Isso praticamente dobra a capacidade de empréstimo do fundo", afirmou a diretora-geral Christine Lagarde em coletiva de imprensa.

Segundo ela, o esforço "sinaliza a forte determinação da comunidade internacional em garantir a estabilidade financeira e colocar a recuperação econômica mundial em uma base sólida."

As promessas de crédito dos países do BRIC ajudaram a ultrapassar a meta de 400 bilhões de dólares anunciada no encontro anual de primavera do credor em Washington. "Esses recursos estarão disponíveis para todos os membros do FMI", destacou a instituição em comunicado, refletindo as preocupações dos membros de que o dinheiro seria destinado a mais resgates de países da Zona do Euro.

Embora tenha concordado em auxiliar o fundo, o Brasil destacou sua insatisfação com a representatividade dos emergentes na instituição financeira.

Em discurso a ser realizado neste sábado 21, mas já divulgado no site do FMI, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressalta que os membros do Fundo ainda não completaram o processo de redistribuição de poder acordado em 2010, o que prejudica os países emergentes. "A resistência que alguns países estão demonstrando no momento de acatar os acordos a que chegamos é profundamente prejudicial para esta instituição e para a própria credibilidade destes países."

A crise financeira de 2008, diz, colocou o peso da recuperação econômica nos ombros dos países emergentes, logo, " é hora de prestar contas". "A cota da Espanha, por incrível que pareça, é maior que a soma total das cotas de todos os 44 países da África Subsaariana."

A participação do Brasil, que em 2009 contribuiu com 10 bilhões de dólares para o fundo e se tornou credor da instituição pela primeira vez, é equivalente à da Holanda, mas inferior à espanhola.

Mantega também criticou a direção do FMI e seus especialistas que "insistem em dar conselhos que ninguém solicitou" sobre os controles dos fluxos de capital praticados pelo Brasil. "O FMI tem dado forte respaldo às políticas monetárias em países avançados, incluindo as recentes medidas adotadas pelo Banco Central Europeu, mas tem sido mais resistente a apoiar as medidas defensivas que algumas economias emergentes se veem obrigadas a adotar em resposta ao impacto destas políticas".

O FMI aceitou pela primeira vez, no ano passado, que os controles de capital possam ser uma solução para a instabilidade que geram. "O Brasil tem toda a intenção de seguir aplicando suas políticas de defesa do real", conclui Mantega.

Com informações AFP

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