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Líbia

Filho de Kaddafi sugere aproximação com grupos islâmicos

por Redação Carta Capital — publicado 04/08/2011 17h18, última modificação 04/08/2011 17h18
Saif al Islam afirmou que tem planos para que grupos islâmicos se estabeleçam no poder, excluindo os seculares. Mas líder religioso reafirma o apoio aos rebeldes

Saif Al-Islam, filho de Muammar Kaddafi, declarou em entrevista ao jornal The New York Times que tem planos para se aliar aos grupos islâmicos e organizar uma sucessão de poder que exclua as alas seculares do país africano. Saif chegou a sugerir que a Líbia saia da guerra civil como um estado islâmico, segundo informações do jornal britânico The Guardian.

Ali Sallabi, líder de grupo islâmico e apontado como interlocutor da conversa com Saif, confirmou o diálogo mas não citou possíveis alianças. Afirmou, inclusive, que os islâmicos líbios apóiam os rebeldes para construir uma democracia plural sem ligação com Khadafi.

Segundo Saif, os islâmicos são a verdadeira força no cenário de oposição e, se o poder tiver de ser dividido, é melhor que seja com eles. Kaddafi, até então, mantinha-se como uma figura ocidentalizada e demonstrava rejeição aos movimentos islâmicos. Mas sua postura parece ter mudado, inclusive em sua aparência. O ditador apareceu recentemente em público com barba, o símbolo dos fundamentalistas salafistas.

Uma interpretação possível para essa postura é de que a família Kaddafi quer reafirmar a ideia de que sua saída abriria um vácuo para a entrada dos radicais religiosos no poder. Segundo Saif, Sallabi teria dito que que os homens de terno e gravata, voando para Paris e Inglaterra, eram os inimigos comuns entre ele e o ditador e que os "liberais" não tinham espaço na Líbia. No entanto,  em declaração recente, Sallabi ressalta seu apoio aos seculares e afirmou que a prioridade neste momento é a saída de Kaddafi do poder.

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