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Oriente Novo

Feliz Oriente Novo

por Antonio Luiz M. C. Costa publicado 16/02/2011 16h30, última modificação 18/02/2011 14h32
Com duas ditaduras a menos, o mundo árabe começa a mudar de feição. Até que ponto?

Com duas ditaduras a menos, o mundo árabe começa a mudar de feição. Até que ponto?

Com Hosni Mubar ak, o Egito tinha uma ditadura de fato sob as aparências de um Estado de Direito, com presidente eleito (em eleições fraudadas), Parlamento (monopolizado pelo governista Partido Nacional Democrático) e Constituição (ditada por Anuar Sadat e Mubarak). Agora, tem uma democracia em gestação sob as aparências de uma ditadura militar que, pressionada pelo povo nas ruas, expulsou o presidente, dissolveu o Parlamento e suspendeu a Constituição. Ou seria essa uma descrição excessivamente otimista dos fatos?

As primeiras fissuras já aparecem no movimento. É muito mais fácil unir movimentos políticos e sociais em torno de um “não” ao status quo do que em torno do “sim” a qualquer projeto alternativo. O enfrentamento entre as forças que concorrem por dar um sentido ao “não” costuma ser mais longo e amargo do que a inicial, e está apenas começando.

Por que a luta da Praça Tahrir foi vitoriosa quando as da Praça Tiananmen (Pequim, 1989) e da Praça Enghelab (Teerã, 2009) deram em nada? Segundo o sociólogo Michael Schwarcz, porque conseguiu de fato parar o Egito. Travou de imediato o turismo, vital para o país, e espalhou-se para todas as principais cidades, onde instituições públicas, a começar pela polícia, foram sitiadas, queimadas ou ocupadas. Nos últimos dias do regime, trabalhadores das indústrias e serviços – inclusive o vital Canal de Suez – também começaram a parar, o que parece ter sido o golpe de misericórdia no velho ditador.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 634, já nas bancas

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