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Ano novo aymara

Feliz ano 5518!

por Rota Inca — publicado 29/07/2010 15h19, última modificação 11/08/2010 15h25
Aymaras consideram seus 5 mil anos de antiguidade atribuídos pelos historiadores acrescentados dos 518 anos desde a invasão espanhola

 Aymaras consideram seus 5 mil anos de antiguidade atribuídos pelos historiadores acrescentados dos 518 anos desde a invasão espanhola

O Ruta Inka 2010 começou com a celebração do ano novo aymara no Complexo Arqueológico de Tiahuanaco. Cerca de cem expedicionários acompanharam a cerimônia do Willka Kuti, realizada no dia 21 de junho, que marca o início do ano 5518 segundo os aymaras. Eles consideram seus 5 mil anos de antiguidade atribuídos pelos historiadores acrescentados dos 518 anos desde a invasão espanhola.

A festa começou de noite na praça da vila de Tiahuanaco, onde uma multidão desfrutava de apresentações musicais e folclóricas indígenas. Apesar da temperatura abaixo de zero, o público dançava animadamente ao som de ritmos típicos como o caporales para espantar o frio.

Porém, o auge da festa começa apenas às 5h da manhã no templo de Kalasasaya, principal construção do sítio arqueológico de Tiahuanaco. Milhares de pessoas se concentram para assistir a cerimônia indígena que culmina com os primeiro raios de sol do solstício de inverno, quando se inicia o ano novo aymara. No momento em que o sol aparece por detrás das montanhas que limitam o desértico vale em que se localiza Tiahuanaco, o público presente ergue os braços em direção ao Taita Inti (o Deus-Sol dos indígenas) para receber as energias do novo ano que se inicia. Ao final, os participantes queimam em uma fogueira oferendas a Pachamama, a Mãe Terra da tradição indígena.

A cerimônia contou com a presenca do presidente da Bolívia Evo Morales, que participou do ritual como líder máximo dos povos indígenas bolivianos. O diretor da Ruta Inka Rubén La Torre entregou uma homenagem em agradecimento ao esforco do presidente para o resgate e valorização das culturas indígenas. La Torre acredita que o acercamento a Morales pode contribuir para a maior valorização da expedição por parte de líderes dos outros nove países países que ainda serão visitados pela Ruta Inka.

O expedicionário chileno José Saavedra assistiu de perto a cerimônia e ficou impressionado com a quantidade de pessoas que compareceram, apesar da madrugada congelante, para dar boas-vindas ao sol. “Dificilmente aconteceria algo parecido em países como Chile, Argentina ou Brasil. A cultura ancestral tem uma forca muito grande na Bolívia e presença de um líder indígena como presidente do país é de um simbolismo muito forte.”

Em 2006, Evo Morales realizou sua cerimônia de posse em Tiahuanaco dentro dos rituais indígenas para depois assumir a presidência formalmente nos métodos ocidentais. Desde lá a Bolívia passa por um momento de reconhecimento e ressignificação dos valores indígenas, como a presença constante da whipala, a bandeira colorida que representa os povos nativos andinos e foi alcada a símbolo nacional. A nova constituicao aprovada recentemente garante aos indígenas o direito a autonomia e renomeação das unidades territoriais traidicionais, como os ayllu, malku e suyo, que podem substituir conceitos tradicionais ocidentais. “Com a invasão espanhola toda nossa organizacao tradicional ficou à margem, clandestina, agora está sendo retomada” explica o líder indígena Eusebio Mamani Choque.

Apesar do itinerário da expedição Ruta Inka incluir apenas alguns dias na Bolívia, os viajantes puderam acompanhar uma das principais cerimônias indígenas e conhecer o mais importante sítio arqueológico do país. Ainda que o tempo tenha sido insuficiente para compreender o complexo processo político-cultural por que passa a Bolívia, serviu para ver de perto como a cultura ancestral está mais viva que nunca nesse país.

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