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Cartas de Portugal

Felicidade em papel de jornal

por Eduarda Freitas — publicado 03/10/2010 21h30, última modificação 03/10/2010 21h30
Eduarda Freitas, em sua quinta crônica da série Cuba, descreve o que os turistas podem encontrar por lá

Eduarda Freitas, em sua quinta crônica da série Cuba, descreve o que os turistas podem encontrar por lá

 NoPaseo del Prado,em Havana, há uma mulher a vender maças. Naturales de Chile, está escrito num pequeno papel. Trinta centavos cada uma. São pequenas, mas suficientemente boas para desenfastiar das goiabas e bananas. A tarde corre devagar. É domingo. Na esplanada do Hotel Inglaterra ouve-se música ao vivo. Há turistas que maneiam as cabeças. Do lado de fora, cubanos mexem as ancas. Um sumo natural de ananás custa três CUCs e longos, longuíssimos, minutos. Ainda assim, merece o esforço. No Paseo del Prado, por ser domingo, há uma exposição de pinturas. Quadros imaginados de Havana, corpos que se misturam, cores que saltam aos olhos, sons que se ouvem por detrás das cores. Sentidos. Robertoembrulha as telas em papel de jornal. Tem um colar africano rente ao pescoço. A pele muito escura. Com as pinturas em fundo de conversa, conta pedaços de vida que os dias lhe foram ensinando. Pede uma caneta. Num bocadinho de folha, escreve uma receita que diz ser infalível para alcançar boas energias, felicidade. Um banho de flores brancas com mel e rum. E uma oração,segreda, baixinho. Depois é acender uma vela todas as segundas-feiras. Esperar. Sem desespero. Porque essa palavra, em Cuba, não é conjugada de forma leviana. Como também não o é a palavra tristeza.

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