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Extrema direita obtém expressiva vitória na Finlândia

por Redação Carta Capital — publicado 18/04/2011 16h35, última modificação 18/04/2011 17h40
O partido Verdadeiros Finlandeses pode ser chamado a formar uma coalizão com o governo e coloca em risco o pacote de ajuda financeira a Portugal

O partido Verdadeiros Finlandeses pode ser chamado a formar uma coalizão com o governo e coloca em risco o pacote de ajuda financeira a Portugal

Apesar de ser o terceiro colocado na última eleição legislativa na Finlândia, celebrada neste domingo 17, o partido de extrema direita Verdadeiros Finlandeses foi considerado o grande vencedor do pleito. De apenas seis assentos conquistados em 2007, o partido elegeu 39 (19%) representantes, ficando atrás apenas do conservador Partido de Coalizão Nacional (20,4%) e dos Social-democratas (19,1%).

O resultado da votação finlandesa pode complicar ou até inviabilizar a aprovação do resgate financeiro pedido por Portugal à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional. Isso porque o Verdadeiros Finlandeses, conhecido por um posicionamento eurocético e anti-imigração, adquiriu um significativo peso político e pode ser chamado a formar uma coalizão de governo.

“É previsível que o Verdadeiros Finlandeses force algum tipo de pacto de governo vinculado, sobretudo, ao veto da Finlândia ao resgate financeiro de Portugal”, escreveu o jornal espanhol El País. O jornal lembra que o Partido de Centro, da atual primeira-ministra Mari Kiviniemi, obteve o quarto lugar na contagem dos votos, o que tornou a atual coalizão, entre o Partido de Centro e o Partido de Coalizão Nacional, inviável. O próprio ministro da Economia e líder do partido mais votado, Jyrki Katainen, reconheceu que os eurocéticos do Verdadeiros Finlandeses foram os vencedores de fato.

À frente do Verdadeiros Finlandeses desde 1997, Timo Soini viu por mais de uma década seu partido conseguir resultados inexpressivos nas eleições legislativas. Agora, ao tornar-se uma figura-chave da política nacional, ele adiantou-se a criticar as negociações de resgate à economia portuguesa. “Eu não creio que esse pacote de ajuda seguirá adiante”.

“Se um país recuar na questão do resgate, o sistema quebraria, o que pioraria a crise da dívida em um momento em que o grupo está decidindo se os resgates terminarão com Portugal ou serão estendidos à economias maiores, como Espanha e Itália”, destacou o The New York Times. Para aprovação do pacote de resgate, é preciso existir unanimidade entre os 17 membros da zona do Euro.

As consequencias do que se passa em Helsinque para Lisboa podem ser catastróficas. Recentemente, o governo português declarou que em junho não terá mais fundos para manter o país funcionando, segundo a agência Reuters. Além do mais, o país encontra-se em meio a uma crise também política, uma vez que o primeiro-ministro José Sócrates renunciou ao cargo após ver seu pacote de austeridade ser rechaçado pelo parlamento. À Reuters, um analista-chefe da Nordea, Niels From, afirmou que o apoio cada vez maior a partidos eurocéticos no continente pode deixar os líderes da União Europeia mais cautelosos em lidar com a crise da dívida nos países mais periféricos.

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