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Exército libanês se mobiliza para evitar mais instabilidade

por AFP — publicado 22/10/2012 17h21, última modificação 22/10/2012 17h21
Em meio a tensão, ex-primeiro-ministro Saad Hariri diz que deseja derrubar democraticamente o atual governo do país
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Soldados libaneses patrulham ruas de Beirute. Foto: AFP

BEIRUTE (AFP) - O Exército libanês se mobilizou nesta segunda-feira 22 nos bairros sunitas de Beirute, onde enfrentou homens armados, e o líder da oposição, Saad Hariri, mostrou-se decidido a derrubar o governo de seu rival Najib Mikati.

Em um comunicado, o Exército manifestou sua determinação de "restabelecer a segurança e preservar a paz civil" no país, e indicou que matou o palestino Ahmad Quaider (de 20 anos), que disparou contra uma patrulha no sudoeste da capital.

Os soldados se mobilizaram em Tariq al-Jdidé e nos bairros vizinhos, redutos dos partidários de Saad Hariri, e todas as avenidas que estavam bloqueadas foram abertas na capital, constataram os fotógrafos da AFP. Durante a manhã, os soldados foram alvo de disparos de homens armados quando tentavam reabrir a estrada que conduz a Tariq al-Jdidé. O Exército respondeu com tiros, constatou um jornalista da AFP. "O Exército tomará medidas enérgicas, sobretudo nas regiões onde há confrontos sectários, para impedir que o Líbano se transforme novamente em um campo de batalha para solucionar disputas regionais", advertiu o Exército.

O Exército pediu que os dirigentes políticos libaneses "sejam ponderados na expressão de suas posições e de suas ideias (...), já que o destino do país está em jogo".

O Líbano é um país multiconfessional onde cristãos, sunitas e xiitas convivem. Se a maioria dos sunitas é hostil ao regime sírio de Bashar al-Assad, pelo contrário, a maioria dos xiitas o apoia. A comunidade cristã está dividida.

No domingo 21, o funeral de um dos chefes da segurança libanesa, um sunita próximo a Saad Hariri e inimigo jurado do governo sírio, se transformou em manifestação violenta contra o primeiro-ministro Mikati, depois que um dirigente da corrente de Hariri pronunciou um discurso inflamado, acusando-o de encobrir este crime.

Embora o chefe de governo e vários ministros sejam sunitas, o atual gabinete é dominado por aliados do Hezbollah xiita, movimento armado próximo à Síria e ao Irã.

Durante a noite, o Exército havia perseguido homens armados em Tariq al-Jdidé, no oeste de Beirute, onde foram ouvidas rajadas de armas automáticas e explosões de foguetes antitanques, segundo uma fonte da segurança. De acordo com uma fonte oficial, seis pessoas ficaram feridas, entre elas um sírio e um palestino.

Em Trípoli, no norte do país, uma mulher alauíta e quatro jovens sunitas morreram nesta segunda-feira, e outras onze pessoas ficaram feridas em confrontos entre um bairro de maioria alauíta, a confissão do clã Assad, e outro sunita, segundo fontes da segurança. No domingo, os tiroteios deixaram 3 mortos e 26 feridos.

Na noite de domingo, Saad Hariri manifestou sua determinação em "derrubar o governo de forma pacífica e democrática", criticando o apoio dos países ocidentais a Mikati. "Não somos obrigados a seguir os conselhos daqueles que pensam que convém ao Líbano" manter o governo atual. "O interesse do Líbano é a queda do governo", ressaltou.

Temendo uma situação de caos, os embaixadores dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU pediram "união nacional". Os embaixadores e Derek Plumby, coordenador-especial da ONU no Líbano, manifestaram seu compromisso com a estabilidade do país.

Em um comunicado lido depois de um encontro com o presidente Michel Sleimane, convocaram "todas as partes no Líbano a preservar a unidade nacional". "É vital que as instituições e a ação governamental sejam mantidas para assegurar a estabilidade, a segurança e a justiça no Líbano", destacaram.

Para Ghassan al-Azzi, professor de Ciência Política na Universidade Libanesa, "Saad Hariri e seus partidários concentram seus ataques contra Najib Mikati, já que é um rival político para o cargo de primeiro-ministro, e evitam atacar frontalmente o Hezbollah, já que isto se transformaria diretamente em um confronto entre sunitas e xiitas". "Atacar diretamente o Hezbollah significa, sem sombra de dúvidas, estar claramente a favor da guerra civil", advertiu.

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