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Ex-presidente da Libéria Charles Taylor condenado a 50 anos de prisão

por AFP — publicado 30/05/2012 11h29, última modificação 06/06/2015 18h23
Detido em 2006 na Nigéria, ex-líder foi declarado culpado no fim de abril de 11 crimes contra a humanidade
Charles Taylor escuta a sentença no TSSL. Foto: AFP

Charles Taylor escuta a sentença no TSSL. Foto: AFP

LEIDSCHENDAM (AFP) - O ex-presidente da Libéria Charles Taylor foi condenado nesta quarta-feira a 50 anos de prisão pelo Tribunal Especial para Serra Leoa (TSSL), que em 26 de abril o considerou culpado de crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

"O tribunal o condena de forma unânime a uma pena única de 50 anos de prisão", anunciou o juiz Richard Lussick, durante uma audiência pública em Leidschendam, perto de Haia.

"O acusado é responsável por ter ajudado, estimulado e planejado alguns dos crimes mais odiosos da história da humanidade", completou Lussick.

Taylor, 64 anos, cumprirá a pena na Grã-Bretanha por um acordo com o TSSL, que não emite condenações a prisão perpétua.

A acusação "recomendou" em 3 de maio uma condenação de 80 anos de prisão, algo considerado "desproporcional e excessivo" pela defesa do ex-presidente, o primeiro chefe de Estado condenado pela justiça internacional desde o tribunal militar de Nuremberg.

O ex-presidente da Libéria (1997-2003), detido em 2006 na Nigéria, foi declarado culpado no fim de abril de 11 crimes contra a humanidade, incluindo estupro, assassinato e saques, cometidos entre 1996 e 2002 em Serra Leoa.

Segundo os juízes, Taylor iniciou uma campanha de terror com o objetivo de controlar Serra Leoa e poder explorar seus diamantes, durante uma guerra civil que deixou 120.000 mortos entre 1991 e 2001.

Vítimas da guerra civil de Serra Leona celebraram a condenação de Charles Taylor por seu apoio aos rebeldes que espalharam o terror no país.

Centenas de pessoas se reuniram diante do edifício do Tribunal Especial para Serra Leoa em Freetown e acompanharam, em silêncio, o anúncio do veredicto.

"Fecha o pano para Charles Taylor. Espero que seus atos o atormentem enquanto apodreça na cadeia", afirmou Al Hadji Jusu Jarka, que teve os braços amputados pelos rebeldes.

O ativista dos direitos humanos Charles Mambu também comemorou a decisão.

"É excelente! Nós, como defensores dos direitos humanos, estamos felizes com a sentença".

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