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Europa impõe embargo a petróleo e sanções financeiras contra o Irã

por AFP — publicado 23/01/2012 09h30, última modificação 23/01/2012 09h34
União Europeia decidiu nesta segunda-feira 23 impor um embargo gradual às exportações de petróleo do Irã e um congelamento dos ativos do Banco Central para pressionar Teerã a suspender seu programa nuclear

BRUXELAS (AFP) - Os países da União Europeia (UE) decidiram nesta segunda-feira 23 impor um embargo gradual às exportações de petróleo do Irã e um congelamento dos ativos do Banco Central, para forçar Teerã a suspender o desenvolvimento de seu programa nuclear.

"Chegou-se a um acordo de princípios para impor um embargo petroleiro ao Irã", disse uma fonte diplomática.

O acordo será aprovado formalmente nesta segunda-feira pelos ministros das Relações Exteriores dos 27 países da UE, reunidos em Bruxelas.

O texto do acordo proíbe imediatamente os países europeus de estabelecer novos contratos no setor petroleiro com o Irã, segundo maior produtor da Opep depois da Arábia Saudita, como punição por seu programa nuclear que, de acordo com os ocidentais, tem como objetivo a bomba atômica.

Está prevista também uma fase de transição para a anulação dos contratos existentes, que entrará em vigor em 1º de julho, para dar aos países europeus mais dependentes do petróleo iraniano tempo para encontrar alternativas à importação. Entre essas nações europeias estão Espanha, Itália e Grécia.

Nas últimas horas os líderes europeus aceleraram as negociações para convencer a Grécia, que pedia que as sanções entrem em vigor no prazo de um ano, oferecendo garantias de que sua combalida economia não será afetada.

A Grécia é o país europeu mais dependente do petróleo iraniano, já que a República Islâmica não exige garantias financeiras em troca.

Espanha e Itália apoiaram a entrada em vigor das sanções em seis meses, embora tenham deixado claro que fazem um "sacrifício".

"A Espanha é um dos países que mais vão se sacrificar. Entendemos que a segurança da região é prioritária, portanto estamos dispostos a fazer este sacrifício para obter a unanimidade na Europa", disse em sua chegada a Bruxelas o ministro José Manuel García-Margallo.

Teerã vende cerca de 450.000 barris diários (cerca de 20% de seus exportações) à União Europeia, principalmente Itália (180.000 bd), a Espanha (160.000 bd) e Grécia (100.000 bd).

Vários dirigentes ocidentais afirmaram nas últimas semanas que alguns países do Golfo, sobretudo a Arábia Saudita, que produz atualmente 10 milhões de barris diários (mbd), substituirão o petróleo iraniano.

Mas a oferta despertou a fúria do Irã. Se esses países substituírem o petróleo iraniano, "serão os principais responsáveis pelo que acontecerá", advertiu.

Ante a ameaça de sanções dos Estados Unidos e da Europa, Teerã foi suavizando sua resposta: primeiro indicou que responderá fechando o estreito de Ormuz, por onde passa 35% do tráfego de petróleo marítimo mundial, mas voltou atrás após a advertência de Washington de que "está preparado" e reagirá se os iranianos bloquearem esse canal.

Apesar das sanções, os Vinte e Sete voltarão a oferecer a Teerã a possibilidade de retomar o diálogo. A União Europeia indicou na sexta-feira que espera uma "reação" de Teerã a sua última oferta de negociações, apresentada em outubro.

Em nome do grupo dos "5+1" (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha), a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, escreveu em 21 de outubro uma carta ao Irã, para que as negociações fossem retomadas.

Os chefes da diplomacia europeia decidiram também impor sanções contra 22 militares na Síria, que foram adicionados a uma lista negra de pessoas e empresas desse país que tiveram seus bens congelados e estão proibidas de entrar na Europa, devido à violenta repressão do regime de Bashar al-Assad contra a oposição.

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